Fim do auxílio emergencial! FDR conta história de pessoas que ficarão desamparadas

Pontos-chave
  • Auxílio emergencial contemplou 39 milhões de brasileiros em 2021;
  • Última parcela do auxílio foi paga em outubro;
  • Este ano, o governo pagou parcelas de R$ 150, R$ 250 e R$ 375.

O fim do auxílio emergencial trouxe a insegurança financeira de volta à casa de milhares de cidadãos brasileiros. Durante a rodada atual, que vigorou entre os meses de abril a outubro, o benefício foi capaz de amparar cerca de 39 milhões de brasileiros em situação de vulnerabilidade social.

Fim do auxílio emergencial! FDR conta história de pessoas que ficarão desamparadas
Fim do auxílio emergencial! FDR conta história de pessoas que ficarão desamparadas. (Imagem: FDR)

A sétima e última parcela foi paga nos dias 29 e 31 de outubro. Durante todo este período, contemplou os beneficiários do programa Bolsa Família, desempregados, trabalhadores autônomos, Microempreendedores Individuais (MEI) e cidadãos de baixa renda inscritos no Cadastro Único (CadÚnico) do Governo Federal. 

Todos esses grupos somam os cerca de 39 milhões de beneficiários mencionados. Se antes essas pessoas já reclamavam da insuficiência dos valores pagos pelo auxílio emergencial de 2021. Agora, a situação se agrava ainda mais para essas mesmas pessoas que poderão ficar sem nenhuma renda.

Relatos de cidadãos

Diante das circunstâncias atuais, o FDR tomou conhecimento do relato de duas mulheres, irmãs, com a mesma profissão e problemas bastante similares. A começar por Luciana Henrique Alvarenga, de 57 anos de idade. A diarista recebe o auxílio emergencial desde o ano passado, mas conta que em 2021 passou por maus bocados, mesmo recebendo o benefício. 

Isso porque, em 2020, Luciana estava com todos os dias da semana completos com trabalho. Naquele momento o auxílio emergencial no valor de R$ 600 pôde ser usado para complementar a renda e ajudar familiares, o filho desempregado com uma neta de menos de um ano de idade na época. 

Mas logo que o auxílio emergencial teve a primeira prorrogação a situação da diarista também se agravou, pois foi dispensada dos serviços que prestava para uma família três vezes na semana.

Ao deixar de receber o equivalente a R$ 300 semanais, Luciana que precisou voltar com a mãe e o casal de irmãos que também recebiam o benefício, começou a enfrentar dificuldades ao contar com mais despesas e menos recursos financeiros. 

No primeiro trimestre de 2020 passou por maus bocados enquanto o auxílio emergencial não era renovado. Posteriormente, quando voltou a ser pago em abril deste ano, as novas parcelas trouxeram um certo alívio para a mulher.

Apesar de ter direito somente à quantia mínima de R$ 150, o valor foi de suma importância para ajudar os irmãos a fazer as compras de supermercado. 

Ela é mais uma dos milhares de brasileiros que eram invisíveis aos olhos do Governo Federal e que não  estão inscritos no CadÚnico, mas que se enquadram nos critérios de vulnerabilidade social. Por isso, não poderá ser incluída no Auxílio Brasil a menos que corra contra o tempo para se inscrever e requerer a inclusão no programa.

Enquanto isso, sua irmã, Vitória Régia Alvarenga, de 64 anos de idade e diarista, também sofre com os impasses do auxílio emergencial. Isso porque, Vitória recebeu as parcelas de R$ 600 e R$ 300 em 2020, mas não foi incluída na rodada do programa em 2021.

No ano passado, o benefício ajudou a manter as despesas básicas de casa, como energia e alimentação principalmente. 

Este ano, as parcelas que provavelmente ela receberia no valor de R$ 250 por ser a representante da família e integrante do CadÚnico fez falta em meio à inconstância do trabalho informal. Para piorar, logo que recebeu a notícia de que não teria direito ao auxílio emergencial de 2021, Vitória foi infectada pelo vírus da Covid-19, precisando ficar afastada do trabalho durante 30 dias.

Quando ela conseguiu se recuperar, foi dispensada por uma família para a qual prestava serviços três vezes na semana, perdendo o equivalente a R$ 1.200 por mês.

A partir daí, as dívidas foram apenas se acumulando, e até hoje, mesmo após o final do auxílio emergencial, os débitos permanecem e a diarista ainda não conseguiu se restabelecer financeiramente. 

Por hora, ela aguarda a oportunidade de um novo emprego ou de ser incluída novamente no programa caso realmente seja prorrogado conforme mencionado pelo Governo Federal.

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Laura Alvarenga
Laura Alvarenga é graduada em Jornalismo pelo Centro Universitário do Triângulo em Uberlândia - MG. Iniciou a carreira na área de assessoria de comunicação, passou alguns anos trabalhando em pequenos jornais impressos locais e agora se empenha na carreira do jornalismo online através do portal FDR, onde pesquisa e produz conteúdo sobre economia, direitos sociais e finanças.