Crise da Evergrande na China ainda pode afetar o Brasil? Entenda

Pontos-chave
  • Crise na China não ameaça o mercado imobiliário brasileiro
  • Os ambientes para o setor são bem diferentes no Brasil e na China
  • A valorização dos imóveis é visível, estimulada pelas boas condições de crédito imobiliário e pela taxa de juros real

Um cenário desafiador paira sobre a China. As incorporadoras Evergrande e Fantasia estão passando por um momento tenso para arcar com suas dívidas, o que deixa a estabilidade econômica do gigante asiático ameaçada. Porém, esta situação não possui nenhuma ligação com o momento atual do mercado imobiliário do Brasil. 

A Evergrande seguiu por uma direção para expansão dos negócios que a fez contrair um alto volume de empréstimos e abrir demais o leque de investimentos. Por sua vez, o mercado imobiliário nacional, permanece indo bem. 

Os ambientes para o setor imobiliário são bem diferentes quando comparamos Brasil e China. Por aqui não temos, por exemplo, a prática de alavancagem, o que diminui a matriz de riscos. 

De modo geral, as incorporadoras no Brasil possuem um caixa satisfatório e tem acesso fácil ao mercado de capitais. O Brasil possui 30 empresas do segmento com capital aberto no setor de Real Estate.

Em 2020, ano marcado pela pandemia que resultou em uma crise sanitária e econômica, foi bom para o setor, gerando novos empregos. A inadimplência do crédito imobiliário no país permanece baixa e o índice de atraso acima de 90 dias no Sistema Financeiro de Habitação (SFH) está em 0,98%, atualmente.

No Brasil, o processo de financiamento de imóveis é mais rigoroso e são necessários inúmeros documentos para a compra de imóveis já concluídos ou ainda em construção, cujos recursos são liberados conforme o andamento da obra. Todo esse processo traz uma segurança maior para o financiamento e inibe a prática de alavancagem, que é comum em empresas que atuam no setor.

Em diversos cantos do Brasil, a valorização dos imóveis é visível, estimulada pelas boas condições de crédito imobiliário e pela taxa de juros real (juros menos inflação) negativa. 

O que acontece de fato é que a oferta de crédito imobiliário continua em sua curva crescente. Neste ano, as contratações de crédito imobiliário no primeiro semestre cresceram 108% em comparação com 2020, batendo seu maior volume histórico.

O Brasil ainda possui um alto déficit habitacional (cerca de 7,8 milhões de moradias). É estimado ainda que 1,1 milhão de novas famílias serão formadas todos os anos. Este número é duas vezes maior do que o volume de novo imóveis construídos no último ano.

Sendo assim, as bases que garantirão o crescimento sustentável do mercado estão bem firmadas: forte demanda, segurança jurídica, capacidade de financiamento e várias empresas bem capitalizadas e com boa governança. Desta forma, a crise recente da imobiliária da China não tem nenhuma chance de prejudicar as incorporadoras brasileiras.

Fundos imobiliários valem a pena?

Especialistas dizem que investir em fundos imobiliários é mais vantajoso que adquirir um imóvel.

Rodrigo Cardoso, CEO e sócio fundador do Clube FII e João Vitor Freitas, analista de investimentos da Toro Investimentos, disseram em um evento organizado pelo UOL que este tipo de investimento é o pontapé inicial para a renda variável.

Os especialistas explicaram durante o evento as vantagens e desvantagens deste tipo de investimento. Além disso, falaram sobre os riscos e deram dicas importantes para quem está planejando investir.

“O fundo imobiliário é a modalidade mais conservadora dentro da renda variável. Você consegue ter um grau de previsibilidade muito alto e a volatilidade, comparado ao mercado de ações, é de apenas um terço”, disse Cardoso, do Clube FII.

João explicou que, quando o investidor “aposta” nos fundos imobiliários, ele vira dono de um pedacinho de diversos imóveis.

“Acho que está muito arraigado na cultura do brasileiro essa questão de investir em imóvel. Tem aquela expressão: ‘quem compra terra, não erra’. Então, o investidor consegue enxergar uma tangibilidade muito grande do seu investimento, o que facilita”, disse Freitas.

Como funcionam os fundos imobiliários?

Cardoso explica que a compra de fundos imobiliários é muito parecida com a compra de papéis de empresas.

“Para quem está acostumado a investir em ações, sabe que é possível abrir uma conta em uma corretora em pouco tempo. Para comprar o ativo dessa ação, é necessário ir no home broker, digitar o código dessa ação, dar o comando de compra, e você passa a ser dono do pedaço de uma empresa. No caso do fundo imobiliário, é exatamente da mesma forma”, disse ele.

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Paulo Amorim
Paulo Henrique Oliveira é formado em Jornalismo pela Universidade Mogi das Cruzes e em Rádio e TV pela Universidade Bandeirante de São Paulo. Atua como redator do portal FDR, onde já cumula vasta experiência e pesquisas, produzindo matérias sobre economia, finanças e investimentos.