Privatização da Eletrobras: Dois efeitos diretos no bolso do brasileiro

Pontos-chave
  • Ações da Eletrobras caem após MP que trata da privatização ser aprovada;
  • Desestatização da empresa pode encarecer conta de luz;
  • Mercado não recebeu bem a inclusão dos chamados “jabutis” no texto da MP.

Nesta quinta, 20, as ações da Eletrobras caíram no pregão logo após a medida provisória que abre espaço para a privatização da empresa ser aprovada. Os papéis preferenciais (ELET6, sem direito a voto) fecharam a quinta-feira em baixa de 3,02%, ao passo que os ordinários (ELET3, com direito a voto) caíram 1,88%. Agora as atenções do mercado estão voltadas para a análise da pauta no Senado.

Privatização da Eletrobras: Dois efeitos diretos no bolso do brasileiro
Privatização da Eletrobras: Dois efeitos diretos no bolso do brasileiro (Imagem: Pilar Olivares/Reuters)

Os analistas avaliaram que o mercado não recebeu bem a inclusão no texto dos chamados “jabutis”, ou seja, medidas que não tem conexão com a finalidade principal do projeto. Porém, um ponto comum entre os investidores é o desejo de que a privatização aconteça.

As ações ordinárias da empresa acumularam uma alta de 18% em um mês, enquanto as ordinárias cresceram mais de 14% no período.

“Foi o famoso sobe no boato e cai no fato”, disse Bruno Ozelame, sócio e estrategista de alocação da Ável Investimentos.

Na última quarta, após a abertura da sessão de votação da medida provisória, as ações ordinárias da Eletrobras (ELET3) fecharam o dia em alta de 3,92%, ao passo que as preferenciais (ELET6) subiram 3,62%.

“A privatização é um fator positivo para o desempenho futuro da companhia, já que tende a gerar melhorias na sua estrutura. O movimento de queda observado nas ações da Eletrobras está relacionado à realização de lucros por parte dos investidores, após as altas recentes observadas no ativo”, explicou a economista da Toro Investimentos, Thayná Vieira.

O governo quer que a votação da MP aconteça o mais rápido possível. Isto precisa acontecer até o dia 22 de junho no Congresso Nacional para que a medida não perca a validade.

O texto foi aprovado na última quarta na Câmara dos Deputados e agora seguirá para o Senado. Caso sejam aplicadas mudanças no texto, a matéria retorna para a apreciação dos deputados. É esperado que a relatoria fique com o vice-líder do governo na Casa, o senador Marcos Rogério (DEM-RO).

Conta de luz após a privatização da Eletrobras 

O deputado Elmar Nascimento (DEM-BA) relator da MP, criou polêmica no setor elétrico e em técnicos do governo. Ele sugeriu ações que não estão relacionadas diretamente com a privatização da empresa e que podem trazer reflexos nas contas de energia futuramente.

O governo deve promover até o fim deste ano, um leilão para contratar 6 mil megawatts de energia gerada por usinas termelétricas movidas a gás nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.

A crítica deste ponto é a fixação de locais pré-determinados para a construção das usinas. Os especialistas e componentes do governo avaliam que isto pode gerar um aumento na conta de luz, pois o consumidor teria que pagar por gasodutos que irão abastecer essas usinas.

Segundo o texto, fica determinado também a contratação de pequenas centrais hidrelétricas até 2026 e a renovação de contratos do Proinfa (Programa de Icentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica) por 20 anos. 

A energia proveniente do Proinfa é mais cara que as outras disponíveis nas mesmas fontes e isto acaba refletindo na conta dos consumidores.

A Abrace (Associação dos Grandes Consumidores de Energia) diz que a contratação de termelétricas em quantidades e locais pré-determinados, sem suporte e estudo técnico, pode causar um aumento de custo a todos os consumidores em R$ 20 bilhões por ano.

Conta de luz pode encarecer (Foto: Sérgio Lima/Poder 360)

Governo espera redução no preço da energia 

O governo espera que a desestatização da Eletrobras traga redução nos preços. Por outro lado, os parlamentares da oposição projetam que o resultado trará aumento nas contas.

Ricardo Barros (PP-PR), líder do governo, ressaltou que uma parte do valor arrecadado com a venda  das ações da empresa para o setor privado, será revertida para a diminuição das contas de luz.

“A empresa se tornará uma corporação, permitirá que R$ 25 bilhões sejam arrecadados e que metade vá para reduzir a conta da energia, para a CDE [Conta de Desenvolvimento Energético], para que o consumidor possa ter redução na sua conta de energia”, disse.

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Paulo Amorim
Paulo Henrique Oliveira é formado em Jornalismo pela Universidade Mogi das Cruzes e em Rádio e TV pela Universidade Bandeirante de São Paulo. Atua como redator do portal FDR, onde já cumula vasta experiência e pesquisas, produzindo matérias sobre economia, finanças e investimentos.