Com a Selic a 3,5% ao ano, chegou a hora de realizar o sonho da casa própria?

Nesta quarta-feira (5), o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu aumentar a taxa básica de juros em 0,75 ponto, para 3,5% ao ano. Para quem pensa em realizar o sonho do financiamento da casa própria, o aumento da Selic tem causado preocupação.

Com a Selic a 3,5% ao ano, chegou a hora de realizar o sonho da casa própria?
Com a Selic a 3,5% ao ano, chegou a hora de realizar o sonho da casa própria? (Imagem: Tierra Mallorca/Unsplash)

Após um período de cinco meses com a Selic fixada na mínima histórica, a 2%, a taxa básica de juros teve dois aumentos consecutivos. O patamar mínimo se manteve entre agosto de 2020 e janeiro de 2021. Ainda assim, a taxa poderá ter novas altas.

Por conta desta tendência, o mercado imobiliário deve ser impactado diretamente. Quem pensa em financiar um imóvel poderá precisar desembolsar mais dinheiro. Este impacto tende a ser percebido mais claramente no longo prazo.

No momento em que a taxa Selic passa por aumento, os custos de captação de recursos dos bancos também aumentam. Consequentemente, estas instituições financeiras tendem a repassar esta variação aos tomadores de crédito.

Grande parte dos recursos utilizados para financiar imóveis são vindos da poupança.

Ela custa 70% da taxa básica de juros para os bancos — próximo a 2,45% ao ano. Sendo assim, com o aumento da taxa, os bancos precisam pagar pelos recursos que serão emprestados.

Apesar disso, a diferença entre o custo da captação e o valor ganho pelos bancos no empréstimo, o spread bancário, ainda é alto. Isto se deve porque o crédito imobiliário tem uma média de 7% ao ano.

Especialistas entendem que o momento ainda é positivo para financiar a casa própria

Por conta do spread bancário, especialistas consultados pelo Valor Investe entendem que é improvável que as taxas aumentem na mesma velocidade da taxa Selic.

Mesmo com a tendência de aumento da Selic, o economista Alberto Ajzental, coordenador do curso de Mercado Imobiliário da Fundação Getúlio Vargas (FGV), afirma que o momento segue bom para quem decida pelo financiamento imobiliário.

De acordo com o economista, segundo levantado pelo Diário da Região, a situação ainda é boa porque o custo do serviço do financiamento segue abaixo do que era em outros anos.

Por outro lado, o presidente do site Melhortaxa, Paulo Chebat, afirmou ao Valor que o consumidor deve ficar alerta se as altas da Selic continuarem. O sinal de alerta seria caso cheguem a um patamar de 5% ou 6%. Estes percentuais estão previstos no relatório Focus para o fim deste ano.

Silvio Souza
Silvio Suehiro Souza é formado em Comunicação Social - Jornalismo pela Universidade de Mogi das Cruzes (UMC). Possui experiência em produção textual e, atualmente, dedica-se à redação do FDR produzindo conteúdo sobre economia.