Banco Central ganha autonomia! Isso influencia no seu bolso?

Mudanças no cenário financeiro e político do país. Nessa quarta-feira (24), o presidente Jair Bolsonaro aprovou o projeto que dá total autonomia ao Banco Central. A proposta já tinha sido validada no Congresso desde o começo do mês, sendo finalizada por Bolsonaro após questionamentos sobre sua interferência na Petrobras.

Banco Central ganha autonomia! O que muda a partir daqui? (Imagem: Aloisio Maurício)
Banco Central ganha autonomia! Isso influencia no seu bolso? (Imagem: Google)

Dar autonomia ao Banco Central significa que a instituição poderá ficar responsável pela gestão de suas cadeiras e demais relacionamentos políticos e administrativos, sem que as decisões sejam de total responsabilidade do presidente Jair Bolsonaro. Ou seja, isenta o gestor de acusações quanto aos seus interesses pessoais.

Durante a cerimônia de sanção que contou com a participação do presidente e demais representantes políticos, o chefe do Banco Central, Campos Neto, agradeceu ao governo pela oportunidade, deixando claro o interesse de permanecer trabalhando junto a equipe federal.

— A autonomia não significa a liberdade total e sim um reequilíbrio de força, isso nos coloca em linha com as melhores práticas internacionais e facilita nosso trânsito no mundo inclusive nos ajudando a entrar na OCDE — disse o presidente do BC.

Quais os efeitos da autonomia do Banco Central?

No momento em que Bolsonaro vem sendo acusado de realizar intervenções na Petrobras, a autonomia do BC significa uma proteção para o presidente e para a diretoria da instituição que poderão fazer interferências políticas sem fiscalizações.

Dessa forma, a definição de ocupação de cargos na instituição não poderá ser feita apenas pela vontade própria do presidente da república, sendo necessário um “comprovado e recorrente” desempenho insuficiente do BC, sem a interferência do Senado.

Campos Neto, diante as acusações a Bolsonaro, reforçou que ao longo de todo o seu mantado pode contar com a compreensão do presidente de forma amigável e tranquila.

— Nós devemos dividir o poder, sim. A responsabilidade por muitas vezes é nossa, é exclusiva, é privativa. Mas se nós podemos abrir mão de pessoas que nós confiamos para levar para um outro lado o destino de um país, como o caso da economia, entendo que nós devemos agir dessa maneira.

Já Bolsonaro, ao ser questionado sobre as mudanças na Petrobras, negou o assunto afirmando ser uma pauta já ‘cansada’ na imprensa.

— Eu não interferi, minha querida imprensa. O prazo de validade do Sr. Castello Branco, que fez uma boa gestão na Petrobras, termina agora dia 20. Simplesmente resolvi substituí-lo. Logicamente porque é uma pessoa que está bastante cansada, uma certa idade, e com certeza poderá até ajudar remotamente a transição para o novo presidente da Petrobras.

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Eduarda Andrade
Maria Eduarda Andrade é mestranda em ciências da linguagem na Universidade Católica de Pernambuco, formada em Jornalismo pela mesma instituição. Enquanto pesquisadora, atua na área de políticas públicas, economia criativa e linguística, com foco na Análise Crítica do Discurso. No mercado de trabalho, passou por veículo impresso, sendo repórter do Diario de Pernambuco, além de assessorar marcas nacionais como Devassa, Heineken, Algar Telecom e o Grupo Pão de Açúcar. Atualmente, dedica-se à redação do portal FDR, onde já acumula anos de experiência e pesquisas sobre economia popular e direitos sociais.