FIM do auxílio emergencial para MEI dificulta pagamento de contas do empreendedor

A pandemia segue afetando o Brasil, mas as medidas de auxílio tomadas no ano passado para amenizar os impactos econômicos chegaram ao fim. As empresas MEI até apresentaram queda na inadimplência por conta do acesso ao crédito e diferimento de impostos, mas voltaram a enfrentar um cenário mais cruel que ainda tenta se recuperar do baque.

FIM do auxílio emergencial para MEI dificulta pagamento de contas do empreendedor
FIM do auxílio emergencial para MEI dificulta pagamento de contas do empreendedor (Imagem: fauxels/Pexels)

Os economistas projetam que as dívidas em atraso ou débitos em aberto voltem a crescer principalmente entre micro e pequenas empresas que atuam com comércio e serviços, já que dependem especialmente do movimento das pessoas.

Um levantamento do Sebrae, revelou que em novembro, 68% dos pequenos negócios no Brasil possuíam dívidas em aberto ou em atraso. Entre os débitos estão as contas em banco, impostos e taxas de aluguel, serviços e matéria prima.

“O problema é que não tem nenhum programa de crédito ativo, e as incertezas daqui para frente causarão temor e devem diminuir a oferta de crédito nos bancos. Com isso, o empresário perde capacidade de pagamento”, diz Guilherme Reche, analista do Sebrae Rio.

A taxa de inadimplência geral, que engloba todos os tamanhos de empresas, passou de 3% em 2019 para 2,3% em 2020. De acordo com o economista-chefe do Serasa Experian, Luiz Rabi, a inadimplência diminuiu de forma geral em meio a pandemia, até mesmo no caso de pessoas físicas.

Isto foi possível devido as medidas tomadas pelo governo federal como o auxílio emergencial, concebido para ajudar os trabalhadores informais em meio a crise, a Selic na mínima histórica e demais medidas de estímulo.

Com o fim destas medidas, o caminho natural é que a inadimplência subirá, infelizmente.

Bruno Imaizumi, economista da LCA Consultores, projeta que a inadimplência atinja o dobro da registrada em 2020 e aconselha as empresas a procurar uma renegociação.

“A lógica das empresas é a mesma de uma casa. O ideal é tentar negociar a curto prazo toda dívida que puder. Mas, se está entrando menos recursos, tem que pagar o essencial e escolher o que adiar”, disse.

Os especialistas acreditam que a melhora do cenário para as pequenas empresas depende da retomada do mercado de trabalho. Mais pessoas trabalhando significa mais renda para consumo e mais faturamento para as empresas.

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Paulo Amorim
Paulo Henrique Oliveira é formado em Jornalismo pela Universidade Mogi das Cruzes e em Rádio e TV pela Universidade Bandeirante de São Paulo. Atua como redator do portal FDR, onde já cumula vasta experiência e pesquisas, produzindo matérias sobre economia, finanças e investimentos.