NOVO valor do salário mínimo surpreende mesmo SEM aplicação de ganho real

O governo propôs ao Congresso fixar o reajuste do salário mínimo em R$1.088 para o ano que vem. A previsão está na nova versão do projeto de LDO (Lei de Diretrizes orçamentárias), que determina as bases do orçamento. O projeto que foi remetido para o Legislativo na tarde de ontem, 15, também fixou em R$247,1 bilhões a meta de déficit das contas do governo para 2021.

NOVO valor do salário mínimo surpreende mesmo SEM aplicação de ganho real
NOVO valor do salário mínimo surpreende mesmo SEM aplicação de ganho real (Imagem: FDR)

Caso se confirme, o valor do salário mínimo será R$21 maior que o sugerido em agosto, quando na ocasião o Ministério da Economia divulgou a proposta orçamentária para o próximo ano. O reajuste é decorrente da revisão da projeção para inflação acompanhada pelo INPC.

O Ministério da Economia divulgou no mês de agosto, uma previsão orçamentária que projetava que o piso nacional sofresse reajuste de 2,09%, o que seria correspondente à projeção para inflação medida pelo INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) naquele momento. Nesta conjuntura, o salário mínimo iria dos atuais R$1.045 para R$1.067.

Devido basicamente ao aumento no preço dos alimentos, a previsão para o INPC cresceu. Segundo o boletim Macrofiscal divulgado no último mês pela pasta, a estimativa era de que o indicador terminará 2020 em 4,1%. Sendo assim, o salário teria que ser de R$1.087,84 e arredondando o valor, R$1.088.

Novamente o trabalhador não terá um aumento real do salário mínimo em 2021, já que somente a inflação será reposta neste reajuste.

Isto é decorrente do país não ter mais uma política de valorização do salário mínimo. Esta política ficou em vigor entre os anos de 2011 e 2018 e previa que o piso nacional fosse reajustado com base na inflação, com acréscimo da variação do PIB (Produto Interno Bruto) registrada dois anos antes.

Impacto do salário mínimo 2021 nas contas públicas

Com o valor do salário mínimo acima do previsto no Orçamento, o governo terá um gasto extra já que os valores dos benefícios previdenciários e assistenciais também terão que ser reajustados.

Cada R$1 de aumento no salário, resulta em uma despesa pública de R$355 milhões.

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Paulo Amorim
Paulo Henrique Oliveira é formado em Jornalismo pela Universidade Mogi das Cruzes e em Rádio e TV pela Universidade Bandeirante de São Paulo. Atua como redator do portal FDR, onde já cumula vasta experiência e pesquisas, produzindo matérias sobre economia, finanças e investimentos.