Taxa de desemprego tem ALTA histórica; confira os estados com maiores registros

Pontos-chave
  • Taxa de desemprego sobe em 10 estados;
  • 14,1 milhões de pessoas procuram emprego atualmente;
  • Índice de ocupação é o menor desde 2012.

O ano de 2020 ficará para história como um dos anos mais complicados dos últimos tempos. A pandemia do novo coronavirus causou um abalo inimaginável na economia e acabou reverberando fortemente no mercado de trabalho que bateu 14,6%, novo recorde de desemprego. Este resultado foi registrado no terceiro trimestre encerrado em setembro.

Taxa de desemprego tem ALTA histórica; confira lista dos estados com maiores registros
Taxa de desemprego tem ALTA histórica; confira os estados com maiores registros (Imagem: Reprodução/Google)

Os dados são Pnad Contínua do IBGE que foram divulgados na última sexta, 27 e revelaram a maior taxa registrada na série histórica do instituto, que começou em 2012. 10 estados do Brasil registram alta nos índices.

Atualmente, existem 14,1 milhões de pessoas procurando uma oportunidade de emprego. Em um período de apenas três meses, cerca de 1,3 milhão de pessoas foram parar na fila do emprego, quando comparado com o segundo trimestre de 2020. No mês de agosto, o índice de desemprego ja havia registrado recorde com 14,4%

Os jovens e mulheres representam a maior parcela entre os desempregados. Entre as pessoas pretas, o índice foi de 19,1% e dos pardos 16,5%, marcas que ficaram acima da média nacional. A menor taxa foi a registrada entre os brancos, de 11,8%.

Adriana Beringuy, analista do IBGE avaliou que o crescimento nos índices de desemprego são um reflexo da flexibilização das medidas de isolamento social tomadas em meio a pandemia do coronavírus.

“Houve maior pressão sobre o mercado de trabalho no terceiro trimestre. Em abril e maio, as medidas de distanciamento social ainda influenciavam a decisão das pessoas de não procurarem trabalho. Com o relaxamento dessas medidas, começamos a perceber um maior contingente de pessoas em busca de uma ocupação”, disse.

A redução do valor pago pelo auxilio emergencial também foi um fator determinante na taxa de desemprego, disse Lisandra Barreto, economista da XP Investimentos. O valor da ajuda paga pelo governo caiu de R$600 para apenas R$300 em setembro.

“No início da pandemia, com o isolamento social e o auxílio completo, as pessoas desistiram de procurar emprego por um tempo. Quando ambos diminuíram, sentiram necessidade de outra renda”, explicou.

Índices de desemprego subindo (Foto : Thiago Freitas / Extra.)

Índice de população ocupada é a menor já registrada

A taxa do IBGE acabou ficando em 14,9%, levemente abaixo da esperada na pesquisa da Reuters com especialistas.

O desemprego deve seguir crescendo, mesmo com a economia voltando a girar, já que com o fim auxilio emergencial no próximo mês, os brasileiros que são beneficiados vão voltar a procurar uma vaga de emprego.

Os dados registrados pelo IBGE apontam também para um mercado de trabalho muito sensível para ser capaz de absorver um número tão grande de profissionais.

No período de um ano, cerca de 11,6 milhões de vagas foram fechadas, conduzindo a população ocupada ao menor nível desde o início da série histórica que começou em 2012: em setembro eram 82,5 milhões de pessoas com ocupação.

Desta forma, o nível de ocupação ficou em 47,1%, mantendo a tendência descendente dos últimos meses. Desde o trimestre encerrado em maio, o nível de ocupação se mantem abaixo de 50%. Este resultado mostra que menos da metade das pessoas em idade para trabalhar tem uma ocupação.

Analistas se mostram pessimistas e acreditam que as taxas devem se agravar no próximo trimestre.

“Até dezembro, a expectativa é que a taxa de desemprego chegue a 15,2%. O mercado vai continuar fragilizado, porém, o pior efeito vai ser sentido no ano que vem, com o fim do auxílio emergencial e dos programas de flexibilização de redução e suspensão de jornada de trabalho”.

Eles alegam que mesmo setores como construção, agricultura e até mesmo a informalidade tenham contribuído para que os resultados não tivessem sido piores no terceiro trimestre, o setor de serviços, que detém a maior relevância do mercado de trabalho ainda não conseguiu se recuperar.

“Mesmo que a economia esteja reagindo, é natural que o mercado de trabalho demore mais, pois contratar no Brasil é muito caro, o que deixa uma defasagem de alguns meses para ver o efeito nos empregos. Na pandemia, em especial, uma das razões pelas quais o trabalho ainda não acompanha a performance da economia é que o serviço voltou mas não totalmente”, disseram.

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Paulo Amorim
Paulo Henrique Oliveira é formado em Jornalismo pela Universidade Mogi das Cruzes e em Rádio e TV pela Universidade Bandeirante de São Paulo. Atua como redator do portal FDR, onde já cumula vasta experiência e pesquisas, produzindo matérias sobre economia, finanças e investimentos.