Vacina contra Covid-19 vai custar R$1,9 MIL? Seguro diz que sim e Procon-SP reage

Diante de um cenário de crise sanitária, empresas passam a comercializar possível vacina do covid-19 por R$ 1.900. Na última semana, a seguradora Generali informou que está vendendo um seguro para as marcas que desejarem fornecer a vacina. Para cada apólice há uma taxa de quase R$ 2 mil que poderá ser reajustada de acordo com as solicitações de compras.   

Vacina contra Covid-19 vai custar R$1,9 MIL? Seguro diz que sim e Procon-SP reage (Imagem: Google)
Vacina contra Covid-19 vai custar R$1,9 MIL? Seguro diz que sim e Procon-SP reage (Imagem: Google)

Com mais de um milhão de mortos em todo o mundo, diversas empresas passam a trabalhar para descobrir uma vacina eficaz contra o covid-19. 

Do outro lado da linha, há também as marcas que desejam aproveitar a pandemia para fazer dinheiro, prometendo a venda da medicação por preços absurdos.  

Entre os nomes já identificados no cenário nacional está a seguradora Generali. O Procon-SP informou que vai notificar a empresa para verificar a suposta prática abusiva e enganosa no que diz respeito as cobranças pela comercialização da vacina. De acordo com o órgão, a prática é ilegal e não condiz com a atual realidade.  

Venda falsa viola a legislação 

Diretor-executivo do Procon-SP, Fernando Capez, explica que o principal problema nesse caso é utilizar a fragilidade dos consumidores e até mesmo do mercado para prometer um produto que nem se quer existe.

A atitude viola o Código de Direito do Consumidor, uma vez que a vacina ainda não foi aprovada pela Anvisa 

“A empresa está prometendo algo que ainda não existe, que não foi aprovado pela Anvisa, e que se vier a ser aprovado será fornecido gratuitamente pelo poder público. Além disso, está garantindo algo que passaria na frente de ordem cronológica das pessoas que se encontram em risco de vulnerabilidade e é necessário que se obedeça a essa prioridade.  O Procon vai notificar a empresa, avaliar a proposta, e se for o caso multar e enviar ao Ministério Público para tomar as medidas judiciais para interromper a veiculação dessa comercialização. Nós vemos com preocupação e estranheza essa prática”, afirmou Fernando 

Duas doses seriam ofertadas 

Ainda segundo a propaganda da Generali, cada seguro teria direito a ofertar duas doses para seus clientes. O medicamento ficaria disponível dentro de um prazo de dois anos e o contrato daria direito ainda a cobertura em demais remédios genéricos para outras doenças agudas. Questionada sobre a campanha, a empresa ainda não se pronunciou.  

Rizzato Nunes, especialista em direito do consumidor, identifica a venda como uma questão de oportunismo tendo em vista o pânico internacional gerado pela pandemia.  

“Parece mais uma ação de marketing para atrair o consumidor. Tomara que a vacina chegue logo, todo mundo está torcendo, mas é uma promessa incerta que pega carona em uma situação psicológica”, explicou. 

Eduarda Andrade
Maria Eduarda Andrade é mestranda em ciências da linguagem na Universidade Católica de Pernambuco, formada em Jornalismo pela mesma instituição. Enquanto pesquisadora, atua na área de políticas públicas, economia criativa e linguística, com foco na Análise Crítica do Discurso. No mercado de trabalho, passou por veículo impresso, sendo repórter do Diario de Pernambuco, além de assessorar marcas nacionais como Devassa, Heineken, Algar Telecom e o Grupo Pão de Açúcar. Atualmente, dedica-se à redação do portal FDR.