PIX: Sem cobranças de taxas, bancos vão perder dinheiro com a nova solução de pagamento

Segundo a Moody’s, através de um relatório publicado recentemente, o Pix, que é a nova ferramenta de pagamentos e transferências instantâneas desenvolvida pelo Banco Central (BC) e terá seu lançamento no dia 16 de novembro, irá corroer as receitas com tarifas dos bancos brasileiros.

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PIX: Sem cobranças de taxas, bancos vão perder dinheiro com a nova solução de pagamento
PIX: Sem cobranças de taxas, bancos vão perder dinheiro com a nova solução de pagamento(Imagem: Divulgação/Banco Central)
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“A isenção de tarifas é negativa para os bancos brasileiros, que perderão receitas de tarifas com transferências de dinheiro. O Pix será um concorrente direto dos sistemas de pagamento existentes, incluindo transferências eletrônicas de dinheiro (TED) e pagamentos com cartão de débito, devido ao seu método de pagamento digital mais barato e rápido”, contou a Moody’s no relatório.

Tarifas fixas cobradas pelo Pix

De acordo com agência de classificação de risco, as instituições bancárias atualmente ganham uma tarifa fixa com as transferências, porém o Pix não irá cobrar essas taxas, principalmente para pessoas físicas, segundo a definição do BC. 

Conforme o levantamento de informações levantadas dos 12 meses até o mês de junho deste ano, a projeção é de que os bancos percam até 8% de suas receitas de tarifas por causa da isenção da taxa de transferência do TED. Desde 2017, essas transações cresceram 31% em média no país.

Redução de receitas de tarifas bancárias 

A Moody’s diz que a ferramenta Pix tem a possibilidade de permitir a redução de receitas de tarifas bancárias resultante do processamento de pagamentos feitos com cartão de débito, onde através deles, as instituições bancárias integradas verticalmente (emissores e adquirentes de cartões) cobram taxas de desconto de comerciantes e taxas de intercâmbio. 

“Esses fluxos de tarifas serão pressionados à medida que o sistema Pix se tornar um substituto para o uso do cartão de débito.”

A ferramenta Pix em meio a pandemia 

A agência ressalta que essa nova ferramenta de pagamentos surge em um período em que as taxas de juros se encontram em níveis recordes de baixa e os riscos de ativos associados a pandemia do Covid-19 pressionam as margens financeiras e a lucratividade dos bancos. O aumento de 42% das despesas com provisionamento no primeiro semestre deste ano irão pressionar a lucratividade também.

Todos os bancos e empresas de pagamento (incluindo as fintechs) com 500 mil clientes ou mais são obrigados a aderir a ferramenta, portanto prejudicará a grande maioria dos bancos de varejo que dominam o sistema de pagamentos tradicional.

Giovanna FreitasGiovanna Freitas
Giovanna Freitas é graduanda na Universidade Anhembi Morumbi (UAM), atualmente é redatora do portal FDR produzindo pautas sobre finanças.