Por que mesmo com baixa rentabilidade especialistas ainda indicam a poupança?

PONTOS CHAVES

  • Caderneta de poupança tem rendimento zerado
  • Inflação e Selic influenciam nas aplicações da poupança
  • Produto ainda é visto como uma opção segura para o mercado

Mesmo registrando uma valorização negativa, a poupança ainda é considerada, por especialistas do mercado financeiro, como uma alternativa estável para quem tem dinheiro retido. Tendo em vista que suas variações dependem da taxa básica de juros (Selic), atualmente em 2% ao ano, e sua lucratividade está zerada. Entretanto, em situações de emergência, permanece sendo a solução ideal.   

Por que mesmo com baixa rentabilidade especialistas ainda indicam a poupança? (Imagem: Google)
Por que mesmo com baixa rentabilidade especialistas ainda indicam a poupança? (Imagem: Google)
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Com a crise do novo coronavírus, a taxa básica de juros nacional (Selic) registrou uma das maiores quedas de sua história. Após passar por quatro reduções consecutivas, atualmente encontra-se em um índice de 2% ao ano e poderá fechar em 1,8% segundo as estimativas do mercado.

Dessa forma, a poupança permanece sem rentabilidade, uma vez em que seu lucro é baseado nos 70% acumulados pela selic.  

Estando a taxa de juros reduzida, significa dizer que o investidor da poupança não poderá ter um retorno financeiro.

Pelo contrário, é preciso ficar atento aos riscos de perda, uma vez em que as alterações da inflação podem resultar em aumento dos preços nacionais e diminuição e desvalorização do poder de compra e venda da quantia aplicada.  

Para se ter numa noção da atual situação dos investimentos na poupança, atualmente quem aplica R$ 1000, dentro de um prazo de 1 ano, terá uma perda de R$ 16, tendo em vista as elevações do INPC.  

Já em aplicações como o Tesouro Selic, a situação também não é muito diferente e o mesmo valor aplicado teria uma perda de R$ 13,50. Essas negativações estão ocorrendo porque, com o menor patamar da história da economia nacional, a selic perde sua lucratividade e automaticamente reduz os retornos da poupança.  

Atenção aos ganhos reais 

Antes de aplicar algum valor, o investidor precisa ficar atento aos falsos ganhos simulados nas cadernetas de poupança. Para a aplicação de R$ 1.000, atualizadas com o tempo, os acréscimos mínimos não significam um ganho.  

Isso acontece porque, a cada centavo ajustado, significa também dizer que os preços dos produtos estão subindo. Ou seja, com R$ 1000 se compra menos do que em um tempo anterior. O ideal é que a partir da elevação da inflação a poupança também seja recalculada, situação não condizente com a realidade atual.  

Por que mesmo com baixa rentabilidade especialistas ainda indicam a poupança? (Imagem: Google)
Por que mesmo com baixa rentabilidade especialistas ainda indicam a poupança? (Imagem: Google)

Sobre a inflação 

De acordo com economistas do Banco Central, o IPCA deverá fechar em 3% em 2021. Ou seja, a cada R$ 1.000 a inflação deverá consumir R$ 30,00. Em um período de 12 meses, a perda deverá ser de aproximadamente R$ 16,00 por investidor.  

“A poupança é uma aplicação que serve para cobrir gastos inesperados. O objetivo dela é deixar o dinheiro em um lugar seguro e que seja disponível a qualquer momento sem riscos. A rentabilidade é algo secundário”, disse Valter Police Jr., diretor de planejamento financeiro da Fiduc. 

Mas porque a poupança ainda é segura?  

Mesmo com os números citados acima, os analistas do mercado reafirmam que os investimentos pela caderneta de poupança permanecem sendo os mais seguros do mercado. Os motivos são vários, entre eles a facilidade para ter acesso ao valor a qualquer momento é um dos principais.  

Em outros investimentos, o aplicador tem a quantia retida e só pode tira-la a partir de um período mínimo que varia entre meses e anos.

Já na poupança, a qualquer momento a aplicação pode ser retirada e utilizada. Fazendo com que em situações de emergência ela seja vista como essencial.  

Além disso, a perda anual ainda é mínima em comparação com os demais ativos. Os riscos de prejuízo aplicados na poupança são mais amenos tendo em vista que o investidor, em caso de queda, pode fazer sua retirada. Outro ponto é que suas alterações são sempre a longo prazo o que significa uma redução ainda menor.  

“A maior parte das pessoas conhece pouco sobre investimentos. E quando ouviu algo sobre aplicação foi sobre a poupança. A pessoa lembra que o avô investia em poupança, então sempre associa essa aplicação à segurança, algo protegido de fraudes“, afirma Valter Police Jr., da Fiduc. 

Eduarda AndradeEduarda Andrade
Maria Eduarda Andrade é mestranda em ciências da linguagem na Universidade Católica de Pernambuco e formada em Jornalismo pela mesma instituição. Enquanto pesquisadora, atua na área de políticas públicas, economia criativa e linguagens. No mercado de trabalho, já passou por veículo impresso, sendo repórter do Diario de Pernambuco, além de ter assessorado marcas nacionais como a Devassa, Heineken, Algar Telecom e o Grupo Pão de Açúcar. Atualmente, dedica-se à redação do portal FDR.