Dólar opera abaixo de R$5 e Bolsa volta a subir mesmo na crise: qual a explicação?

PONTOS CHAVES

  • Dólar e Ibovespa passam por variações no mercado mundial 
  • Retomada do comércio poderá contribuir com a recuperação econômica
  • Crise da política brasileira interfere negativamente nos investimentos 

Instabilidade econômica segue marcando o mercado mundial. Nesta segunda-feira (8), o dólar apresentou mais um índice de queda, se mantendo no valor de R$4,88. Apesar da projeção parecer ser positiva, analistas afirmam que o momento é de cautela, tendo em vista ainda a existência do novo coronavírus. Na Bolsa de Valores, as modificações também se mantem. Hoje, a ibovespa apresentou uma valorização de 2,32%, ficando com 96.832 pontos.  

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Dólar opera abaixo de R$5 e Bolsa volta a subir mesmo na crise: qual a explicação? (Imagem: Reprodução - Google)
Dólar opera abaixo de R$5 e Bolsa volta a subir mesmo na crise: qual a explicação? (Imagem: Reprodução – Google)
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Tais números seguem mantendo um fluxo mediante as reações da crise mundial gerada pela pandemia do covid-19. Na última sexta-feira (5), o dólar tinha sido fechado a R$ 4,9930, registrando a menor cotação desde o dia 13 de março. A queda apresentou um reajuste de 6,44%, sendo considerado o mais intenso desde o ano de 2008.  

De acordo com os economistas, até o fim de 2020, a moeda ainda deve contabilizar uma alta de 24,52%. No texto abaixo, avaliaremos alguns pontos mundiais que estão impactando no mercado financeiro. Confira.  

Retomada dos setores pós pandemia 

Mesmo com a doença ainda em circulação por diversos países, muitos já deram início as atividades de retomada. No Brasil, por exemplo, estados como Pernambuco, Rio de Janeiro e São Paulo já anunciaram os planos de reabertura do comércio 

Países como a Alemanha, França e Reino Unido, também estão realizando uma série de flexibilização em suas quarentenas, permitindo que os setores econômicos voltem a funcionar.

Mediante tal cenário, muitos analistas afirmam que, mesmo sabendo que há uma possibilidade de segunda onda de contágio, acredita-se que a pior crise do Covid já foi vivenciada, e por isso, a tendência é que haja reações positivas do mercado.  

Nos Estados Unidos, por exemplo, a avaliação é positiva. Mesmo o país sendo um dos mais afetados pela pandemia, relatórios governamentais mostraram que o maior pico nas taxas de desemprego ocorreu no mês de maio, passando de 14,7%. Em abril, o índice ficou em 13,3%.  

Injeções por parte das instituições financeiras 

Outra medida que poderá colaborar para com o avanço e retomada da economia, deve estar relacionada aos investimentos dos grandes bancos. Na Europa, por exemplo, foi criado um programa de estímulo feito pelo Banco Central, injetando cerca de 1,35 trilhão de euros (R$ 7,57 trilhões). 

Já na Alemanha, o governo liberou um pacote de 130 bilhões de euros (R$ 729 bilhões). Nos Estados Unidos, o incentivo foi de US$ 1 trilhão (R$ 4,97 trilhões). Todos os valores aplicados deverão colaborar para que sejam acrescentadas a liquidez global. Desse modo, o volume de dinheiro disponível para a circulação é maior, fazendo com que os investidores tenham mais respaldo.  

Desvalorização das ações interferem na Bolsa  

No Brasil, outra situação que está interferindo no mercado diz respeito as taxas de juros. A Selic, principal estatística nacional, apresenta uma estimativa anual de 2.8%, fazendo com que os investimentos fiquem ainda mais baratos.  

Os economistas afirmam que, com as taxas de juros mais baixas, os ativos ficam mais arriscados e assim geram mais capital para o mercado.  

“Com dinheiro em abundância em um cenário de juros baixos no mundo todo, digamos que o dinheiro parado ‘queima’ na mão”, explicou Matheus Soares, da Rico Investimentos. 

“O mundo não para de colocar dinheiro no sistema. Fundos de investimento dedicados a mercados emergentes, caso do Brasil, voltaram a captar. Depois de o dinheiro ter ido para as Bolsas norte-americanas, depois para as europeias, chegou agora a vez das Bolsa dos emergentes”, afirmou Roberto Motta, responsável pela mesa institucional de futuros da Genial Investimentos. 

Crise política também interfere na cotação do dólar

Por fim, o último ponto de extrema importância para os desdobramentos financeiros é o cenário político. No Brasil, a situação não colabora com os investidores, que cada vez menos sentem segurança para realizarem suas aplicações.  

Com as brigas e demissões do governo do presidente Jair Bolsonaro, o dólar e a bolsa seguem passando por modificações continuas. O número de vítimas fatais e as acusações de má administração da saúde pública também geram um clima de desconfiança e instabilidade.  

“Tivemos uma guinada nas últimas semanas, porque estávamos num cenário em que o governo estava com problemas, houve saída de ministros, confusão política. Agora, o governo começou a ficar mais próximo do Centrão”, disse Denilson Alencastro, economista-chefe da Geral Asset, 

Para ele, “o governo ter apoio do Centrão é fundamental para o Brasil retomar as reformas que o país precisa. Sem falar que também diminui bastante o risco de impeachment, que assustou o mercado”, afirmou.  

 

Eduarda AndradeEduarda Andrade
Maria Eduarda Andrade é mestranda em ciências da linguagem na Universidade Católica de Pernambuco e formada em Jornalismo pela mesma instituição. Enquanto pesquisadora, atua na área de políticas públicas, economia criativa e linguagens. No mercado de trabalho, já passou por veículo impresso, sendo repórter do Diario de Pernambuco, além de ter assessorado marcas nacionais como a Devassa, Heineken, Algar Telecom e o Grupo Pão de Açúcar. Atualmente, dedica-se à redação do portal FDR.