Apesar do nome negativo, o mecanismo serve de proteção ao negócios da bolsa. A B3 tem regras para acionar o circuit breaker e determinam a sua validade.

A B3, bolsa de valores brasileira, abriga as maiores negociações do mercado financeiro. É no sistema da B3 que são negociadas as ações das maiores empresas do país, assim como contratos de commodities (café, soja, boi gordo etc) e moedas.

Para acompanhar o andamento das negociações, a B3 utilizar o índice Ibovespa, esse índice acompanha a valorização das empresas com maior volume de negociação da bolsa. Quando temos um crescimento do Ibovespa, significa que as empresas estão crescendo e se valorizando, do mesmo jeito, quando o índice cai significa que as empresas estão caindo de valor.

Embora seja natural que as ações de empresas oscilem no curto prazo, tanto para cima quanto baixo. Uma queda muito brusca no índice significa que as empresas estão sendo afetadas como um todo.

Circuit Breaker
Entenda o que é “circuit breaker” e como o mecanismo afeta nossa economia (Foto: Pixabay)

É importante deixar claro para quem não está familiarizado que não é a B3 que determina o valor das empresas. São os compradores e vendedores que negociam entre si, chegando ao preço de mercado daquela ação.

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Como a bolsa não tem o controle sobre o preço das ações, sua função é administrar o sistema de negócios, em momentos de muita desvalorização ela adota medidas para diminuir os impactos negativos, como falências e prejuízos aos acionistas.

O circuit breaker foi estipulado justamente para momentos de crise financeira. Quando é acionado as negociações são paralisadas por pelo menos meia hora, essa suspensão serve para tirar o folêgo de uma queda expressiva.

Como funciona o Circuit Breaker?

O circuit breaker é acionado em 3 estágio, dependendo do percentual da desvalorização do Ibovespa em relação ao dia anterior:

  • Estágio I: Desvalorização de 10% – As negociações serão suspendidas por 30 minutos;
  • Estágio II: Reabertas as negociações, desvalorização atinge 15% – As negociações serão suspensas por mais um hora;
  • Estágio III: Reabertas novamente as negociações, desvalorização atinge 20% – As negociações serão suspensas por período indeterminado. Cabe a B3 definir a duração e informar ao mercado através dos seus canais oficiais.

Após o acionamento do Circuit Breaker, as negociações são suspendidas e ninguém pode comprar ou vender nesse período. O mecanismo não pode ser acionado nos últimos 30 minutos de negociação, para evitar que operações fiquem para o dia seguinte.

Quais são os efeitos do acionamento do Circuit Breaker?

A crise causada pela pandemia do coronavírus gerou grandes quedas na bolsa brasileira. Até hoje (26) a B3 já acionou o Circuit Breaker por 6 vezes, o número já se iguala à crise de 2008.

No pior dia de negociações desde 1998, o pregão do dia 12/03 chegou ao Estágio II e ficou bem perto de acionar o terceiro estágio, algo que até hoje ainda é inédito. No final do dia, a desvalorização total foi de 14,78%.

Esse curto intervalo de tempo entre vários Circuit Breakers, houveram 3 em uma única semana, acaba diminuindo as expectativas para novos investidores na bolsa de valores.

Em todos os casos, o acionamento do mecanismo foi muito importante para ao menos amenizar a desvalorização das ações. Claro, que isso tem as suas limitações, principalmente porque a crise atual é fruto de um cenário global de incertezas econômicas.

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Mesmo vivendo uma de suas piores crises, o mercado financeiro ainda projeta uma recuperação econômica relativamente rápida, com as respostas e incentivos necessários.

O momento é sobretudo de cautela para novos investidores, visto que ainda é cedo para determinar a duração da pandemia do Covid-19 e muito menos o tamanho dos impactos econômicos desta crise.

Os exemplos positivos e negativos de outros países servem nos deixar alerta quanto ao agravamento da transmissão do novo vírus e a que patamar de prejuízos chegaremos no Brasil.

Sandro Campos possui bacharelado em Ciências e Humanidades e Ciências Econômicas pela Universidade Federal do ABC (UFABC). No mercado de trabalho, tem passagem pelo Banco Mercantil do Brasil, como gerente de relacionamento. Atuou também como assessor de investimentos no Itaú Personnalité e na XP Investimentos. Atualmente, trabalha como  Consultor Financeiro e dedica-se à redação do portal FDR.