Concursos públicos no país são paralisados e estudantes tomam atitude

As medidas de austeridade que foram tomadas pelo governo nos últimos quatro anos fizeram com que muitos concursos públicos do país ficassem paralisados, adiando os planos dos brasileiros que buscavam uma carreira e estabilidade no estado. Mas essa paralisação, fez com que estudantes que se preparavam para prestar a prova tomassem atitudes. 

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Concursos públicos no país são paralisados e estudantes tomam atitude
Concursos públicos no país são paralisados e estudantes tomam atitude (Imagem:Reprodução/Google)
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De acordo com os dados fornecidos pela Relação Anual de Informações Sociais (Rais), da Secretaria do Trabalho, em menos de uma década o número de contratações de servidores federais caiu para um sexto do que era realizado antes.

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Em 2010, foram admitidos 296 mil servidores, já no ano de 2018, que é o dado mais recente, foram admitidos 50,7 mil servidores. 

Em entrevista ao Estadão, o economista Cosmo Donato, da LCA, lembra que no ano de 2010 a conjuntura fiscal permitia que acontecesse uma reposição maior do funcionalismo.

“A orientação era de expansão da máquina pública, não por acaso, foi ano recorde de contratações. De lá para cá, não só o espaço fiscal continua restritivo, como estruturalmente o quadro exige uma reformulação do funcionalismo.”

Sem que fossem realizados novos concursos públicos, o funcionalismo deixou de repor os funcionários e por enquanto não há autorização para que sejam realizados novas seleções federais de carreiras civis este ano, apenas para militares. 

De acordo com o Ministério da Economia, cerca de 22 mil servidores federais devem se aposentar até o final deste ano e a previsão é que até o ano de 2022, 60 mil deixem o serviço público.

Por conta disso, os estudantes que se dedicavam aos conteúdos programáticos de um concurso público, deixaram de procurar por escolas que pudessem oferecer esse conteúdo. Logo, os chamados cursinhos têm fechado. Em contra partida, cresceu 30% da procura por cursinhos especializados na carreira militar.

Com essa falta de concursos os jovens estão optando por fazer pós-graduação e assim, tentar se destacar mais no mercado. Como é o caso de Caroline Santos. 

Em uma entrevista concedida ao jornal Estado há três anos, a jovem tinha acabado de deixar o seu emprego em um escritório de advocacia para mudar a sua vida. 

Caroline havia juntado dinheiro para se dedicar de forma integral à concurso público, a vaga que pretendia era a de procuradora pública. 

Mas com essa queda, ela teve que voltar a trabalhar no mercado privado, há quatro meses. 

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Atualmente, ela ganha o mesmo salário que há quatro anos atrás. Está fazendo pós-graduação e disse que ainda não abandonou o seu sonho. “Comecei a fazer uma pós-graduação, para me destacar. Não me arrependo de ter largado tudo para prestar concursos, é um sonho que não abandonei, mas que ficou guardado em um cantinho.”  

Jheniffer FreitasJheniffer Freitas
Jheniffer Aparecida Corrêa Freitas é formada em Jornalismo pela Universidade de Mogi das Cruzes. Atuou como assessora de imprensa da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo e da Secretarial Estadual da Saúde de São Paulo. Atualmente, é redatora do portal FDR, produzindo pautas sobre economia popular e finanças.