A presença de microalgas capazes de produzir toxinas marinhas já é monitorada em várias partes do mundo. Em janeiro de 2026, pesquisadores confirmaram pela primeira vez o gênero Gambierdiscus na costa mediterrânea continental da Espanha, em áreas próximas a Dénia e Xàbia (Alicante).
O achado chama atenção porque essas microalgas podem gerar ciguatoxinas, compostos que podem se acumular em peixes e, em certas condições, causar intoxicações alimentares.
Segundo informações divulgadas pela Universidade de Alicante, em colaboração com a Universidade de Las Palmas de Gran Canaria (ULPGC), a espécie identificada foi Gambierdiscus australes, associada ao risco de ciguatera e à necessidade de vigilância contínua.
O que os cientistas encontraram exatamente?
A detecção foi feita em amostras de fitoplâncton coletadas no litoral norte de Alicante, dentro de rotinas de monitoramento ambiental.
O estudo analisou campanhas de março e setembro de 2023 em 12 estações, com presença da microalga em 75% das amostras de março e 100% das de setembro, variando de 20 a 140 células por litro.
Quais são os riscos para quem consome peixe?
O risco discutido pelos pesquisadores está ligado à ciguatera, intoxicação associada ao consumo de peixe com ciguatoxinas acumuladas ao longo da cadeia alimentar.
O alerta, porém, não significa surto automático. Aliás, o coordenador do estudo afirmou que as concentrações observadas não são alarmantes e que a espécie que detectaram não está entre as mais tóxicas.
Por que a microalga pode estar se expandindo?
Os autores relacionam a expansão do gênero Gambierdiscus ao aumento da temperatura do mar.
Esta mudança favorece espécies típicas de águas mais quentes e amplia sua distribuição geográfica.
O que muda para a pesca e o monitoramento?
A recomendação central é reforçar programas de monitorização de longo prazo e manter o fluxo de informação com autoridades competentes para proteger o consumidor.
Na prática, isso envolve vigilância ambiental, análises laboratoriais e rastreabilidade, especialmente em áreas e espécies com histórico de maior risco.
Base legal e órgãos responsáveis
Na União Europeia, a segurança de alimentos é regida por normas gerais como o Regulamento (CE) nº 178/2002. Ela estabelece princípios e procedimentos de segurança alimentar e cria a Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA).
Na Espanha, a Agencia Española de Seguridad Alimentaria y Nutrición (AESAN) reúne avaliações e iniciativas sobre ciguatoxinas, incluindo trabalhos ligados ao projeto EuroCigua.
A confirmação de Gambierdiscus australes no Mediterrâneo continental, divulgada em janeiro de 2026, é um marco para a vigilância ambiental e para a segurança do pescado. O estudo reforça que o monitoramento contínuo é a principal medida para antecipar riscos e manter a cadeia de comercialização sob controle.






