A carne bovina brasileira acaba de conquistar um novo espaço no mercado premium. Um corte do país recebeu reconhecimento internacional e disparou em procura.
Especialistas apontam que a certificação recente coloca o Brasil não apenas como potência produtiva, mas também como referência gourmet.
O que motivou o reconhecimento do corte brasileiro?
O destaque veio logo após o Ribeye Steak Angus produzido pela VPJ Alimentos atingir nota máxima no International Taste Institute, um dos testes sensoriais mais rigorosos do mundo.
O corte alcançou mais de 91% de escore total, com índices superiores a 95% em sabor e maciez.
Esse resultado reforça um movimento que vinha ganhando força. Além disso, frigoríficos brasileiros investem em rastreabilidade, marmoreio e genética.
A certificação Carne Angus Certificada, por exemplo, se tornou um diferencial que impulsiona a percepção de qualidade.
Qual a importância dessa conquista?
O Brasil sempre liderou em volume, porém faltava consolidar presença no segmento gourmet.
Com este reconhecimento, o país passa a competir diretamente com cortes altamente valorizados nos EUA, Austrália e Japão.
Além disso, a performance em testes às cegas mostra que a qualidade da carne brasileira não é apenas narrativa comercial, mas validada por padrões internacionais.
A procura aumentou no mercado interno?
Sim, e de forma expressiva. De acordo com dados recentes, o consumo de carne bovina aumentou cerca de 8,8% no primeiro trimestre de 2025, mesmo com preços mais altos. Isso mostra que o brasileiro segue valorizando carne, ainda mais, cortes diferenciados.
O mercado premium representa hoje cerca de 3% da produção nacional, mas cresce de forma consistente.
A oferta de cortes especiais embalados a vácuo, com marmoreio superior e certificação, por exemplo, aumentou nas grandes redes varejistas.
Por que o consumidor está migrando para cortes nobres?
Entre os principais fatores estão:
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maior acesso a informações sobre origem e qualidade;
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popularização dos churrascos gourmet;
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crescimento do delivery e de açougues premium;
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preços mais competitivos em relação às carnes importadas.
Com isso, cortes como ribeye, ancho, chorizo, tomahawk e denver vêm ganhando espaço na mesa do brasileiro.
E no mercado internacional, o impacto é grande?
Muito. Afinal, o Brasil exportou mais de 2,4 milhões de toneladas de carne bovina entre janeiro e setembro de 2025, gerando US$ 12,4 bilhões.

A China segue como principal destino, absorvendo quase 50% dos embarques.
Entretanto, a novidade está no avanço em mercados de alto padrão. A União Europeia registrou alta de mais de 100% no valor importado em setembro de 2025. Isso reflete o interesse crescente por cortes especiais brasileiros.
Essa conquista, de fato, reforça o país como player competitivo no mercado gourmet, área historicamente dominada por outros países.
O reconhecimento internacional do corte de carne brasileiro mostra que o país não é apenas líder em volume, porém também tem qualidade para oferecer.
À medida que investimentos em genética, marmoreio e certificações se expandem, a procura tende a permanecer forte, tanto no Brasil quanto no exterior.





