Após 104 anos de atuação industrial no Brasil, a Lupo, uma das marcas mais tradicionais do setor têxtil nacional, passou a produzir parte de seus itens no Paraguai.
A decisão, no entanto, não representa o encerramento das operações produtivas no país, nem a saída da empresa do território nacional.
Aliás, em 2026, a companhia mantém suas fábricas ativas no Brasil, incluindo a unidade de Araraquara (SP), sede histórica da marca. Ela segue em funcionamento e com investimentos contínuos em modernização.
O movimento, que ocorreu em junho de 2025, integra uma estratégia complementar de produção internacional, prática comum entre empresas com atuação global.
Por que a Lupo decidiu produzir parte dos itens fora do Brasil agora?
A ampliação da produção no exterior está relacionada, sobretudo, a mudanças recentes no ambiente tributário brasileiro, que afetaram diretamente a competitividade da indústria.
Entre os fatores que pesaram na decisão estão, por exemplo:
-
Aumento dos custos operacionais;
-
Mudanças no tratamento tributário de incentivos fiscais;
-
Redução da previsibilidade financeira para o setor industrial.
Segundo análises do mercado, essas alterações exigiram que empresas buscassem alternativas para manter eficiência e sustentabilidade, sem abandonar suas bases produtivas no Brasil.
Qual o papel da Lei 14.789 nessa decisão?
Um dos pontos que orientou a estratégia de ampliação foi a Lei nº 14.789/2023, sancionada no fim de 2023.
A norma alterou o tratamento tributário dos incentivos fiscais que estados e municípios concedem. Na prática, a lei:
-
Encerrou a isenção de impostos federais sobre incentivos fiscais estaduais, como benefícios relacionados ao ICMS;
-
Elevou a carga tributária efetiva para empresas industriais;
-
Reduziu a atratividade de regimes fiscais regionais.
Embora apresentada pelo governo federal como uma medida para elevar a arrecadação, a mudança teve impacto direto sobre os custos de operação de diversas empresas do setor produtivo.
Produção no Paraguai é complementar, não substitutiva
A produção no Paraguai não substitui a operação brasileira. Ela chega como uma estratégia complementar, voltada à diversificação produtiva e otimização de custos em um cenário econômico mais desafiador.
Inclusive, o país vizinho também tem atraído outras empresas por oferecer:
-
Regime tributário mais simples;
-
Custos operacionais reduzidos;
-
Ambiente regulatório mais previsível.
Mesmo assim, a Lupo segue com produção, empregos e investimentos no Brasil, mantendo sua relevância industrial no país.
O que muda para trabalhadores e consumidores?
Do ponto de vista dos trabalhadores, não há encerramento generalizado de unidades nem abandono da operação nacional.
A fábrica de Araraquara segue ativa, assim como outras estruturas produtivas da empresa. Para o consumidor, a estratégia tende a:
-
Garantir a continuidade da marca no mercado;
-
Preservar competitividade de preços;
-
Evitar repasses mais agressivos de custos ao consumidor final.
O caso da Lupo reflete um cenário mais amplo enfrentado pela indústria nacional.
Empresas com forte presença histórica no Brasil têm buscado modelos híbridos de produção, conciliando operações locais com produção internacional.
Mais do que uma saída do país, o movimento evidencia os desafios estruturais do ambiente de negócios brasileiro, especialmente no campo tributário, que seguem no centro do debate econômico.
ERRATA (06/01/2026) O FDR esclarece que a Lupo não encerrou suas operações produtivas no Brasil. A empresa mantém suas atividades industriais no país, incluindo a fábrica de Araraquara (SP), que segue ativa e em processo de modernização. A ampliação de parte da produção no Paraguai faz parte de uma estratégia complementar de produção internacional e não representa a saída da marca do Brasil. Pedimos desculpas por eventuais interpretações equivocadas.





