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A Suíça que ninguém vê: como túneis subterrâneos viraram arma climática nos Alpes

Por Moysés Batista
23/01/2026
Suíça vista debaixo

Imagem: Geração/FDR

Viajar de trem pela Suíça costuma ser uma experiência tranquila. A paisagem alpina some por alguns minutos, substituída pela escuridão de túneis longos e silenciosos.

O que muitos passageiros não percebem é que, sob essa rotina aparentemente banal, existe um dos projetos ambientais e logísticos mais ambiciosos do mundo moderno.

Uma rede subterrânea do tamanho de um país

A Suíça abriga mais de 1.400 túneis, que somam mais de 2.000 quilômetros escavados nas rochas alpinas. Eles atendem ferrovias, rodovias, sistemas de energia e distribuição de água.

Em extensão total, essa infraestrutura rivaliza, por exemplo, com redes de transporte de grandes metrópoles globais.

O núcleo desse sistema é a Nova Linha Ferroviária Transalpina (NRLA), um megaprojeto que conecta os túneis de base de Lötschberg, Gotthard e Ceneri.

O destaque absoluto, entretanto, fica com o Túnel de Base de Gotthard, com cerca de 57 km, o mais longo túnel ferroviário do mundo.

Graças a ele, trens cruzam os Alpes em aproximadamente 20 minutos, sem grandes inclinações.

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Por que escavar os Alpes virou política ambiental

A motivação central nunca foi apenas engenharia. O objetivo estratégico sempre foi retirar caminhões das estradas alpinas. Durante décadas, o transporte rodoviário pesado atravessou vales sensíveis, gerando poluição do ar, ruído e riscos ambientais.

Nos anos 1990, a população aprovou a chamada Iniciativa Alpina, que determinou a transferência progressiva do transporte de cargas para o modal ferroviário. A lógica é simples:

  • Trens consomem cerca de um quinto da energia usada por caminhões.

  • As emissões de gases de efeito estufa são aproximadamente quatro vezes menores por tonelada-quilômetro transportada.

Hoje, mais de 72% da carga transalpina suíça viaja por trilhos. Em 2018, cerca de 941 mil caminhões cruzaram os Alpes, um terço a menos do que no ano 2000. Em 2022, mesmo com o crescimento econômico, o número ficou em torno de 880 mil viagens, enquanto a ferrovia manteve participação próxima de 74%.

Suíça vista debaixo
A Suíça que ninguém vê ─ Imagem: Geração/FDR

Construir sem destruir: mitigação ambiental

A construção do Túnel de Base de Gotthard exigiu a remoção de 28 milhões de toneladas de rocha e grandes volumes de concreto. Ainda assim, os impactos foram cuidadosamente controlados.

Materiais foram transportados prioritariamente por trem ou navio, máquinas receberam filtros de partículas e toda a água residual foi tratada antes de retornar aos rios.

Após as obras, margens fluviais foram restauradas, cursos d’água realinhados e muros de pedra seca reconstruídos para recriar habitats naturais.

A filosofia suíça foi clara: quem escava profundamente precisa compensar na superfície.

O que o mundo pode aprender com a Suíça?

Os túneis, sozinhos, não combatem as mudanças climáticas. O sucesso suíço, entretanto, veio da combinação de:

  • Investimento contínuo em ferrovias

  • Pedágios e taxas ambientais para caminhões

  • Planejamento de longo prazo com apoio popular

Para outros países que enfrentam congestionamentos, poluição urbana e emissões logísticas crescentes, a experiência suíça mostra que infraestrutura subterrânea pode ser uma poderosa aliada climática. Claro que, desde que faça parte de uma estratégia integrada.

Para o cidadão comum, a maior conquista talvez seja invisível: a sensação de que deixar o carro em casa e confiar no transporte público é algo normal, eficiente e seguro. É justamente essa normalidade silenciosa que move a mudança.

LogoCaro leitor,

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Moysés Batista

Moysés Batista

Moysés é Bacharel em Letras pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO). Além de ter entregue mais de 10 mil artigos em SEO nos últimos anos, tem se especializado na produção de conteúdo sobre benefícios sociais, crédito e notícias nacionais.

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