Segundo o Banco Central, no último ano, as concessões de empréstimos através do cartão de crédito rotativo para pessoas físicas cresceram e bateram um recorde. O patamar alcançado em 2021 é o mais elevado desde o início da série histórica, em 2012.
O rotativo do cartão de crédito é acionado sempre que o usuário não paga o valor total da fatura na data de vencimento. A parte do valor deixada em aberto é considerada nas estatísticas do BC como essa linha de financiamento.
Os dados do BC revelaram que o crédito concedido pelas instituições financeiras no cartão de crédito rotativo resultou em um montante de R$ 224,7 bilhões no ano passado, uma média mensal de R$ 18,7 bilhões.
Este número mostra um aumento de 23% na comparação com os R$182,7 bilhões (ou R$ 15,2 bilhões) por mês, registrados no ano anterior.
Este crescimento na procura pelo cartão de crédito rotativo ficou acima da expansão média das concessões de todo o crédito bancário no ano passado, de 19%.
Este aumento no rotativo aconteceu em paralelo com a alta nos juros, na inflação e no endividamento das famílias com os bancos.
Na visão do diretor-executivo da Associação Nacional dos Executivos de Finanças Administração e Contabilidade (Anefac), Miguel José Ribeiro de Oliveira, este crescimento no endividamento das famílias, juntamente com esta alta demanda do rotativo do cartão, é um reflexo do momento vivido pela economia do país.
“É um um processo não só de endividamento elevado mas desemprego elevado, mas também de queda de renda frente à uma alta da inflação, à uma pandemia que desarranjou a estrutura familiar com a relação à renda: alguém morreu ou perdeu o emprego, ou renda foi reduzida pela menor quantidade de trabalho”, disse ele ao G1.
Demais linhas de crédito
O uso do cartão de crédito rotativo foi maior que o do crédito pessoal para pessoas físicas, porém, ficou abaixo do crédito consignado, que possui limite para cobrança de juros.
Montante emprestado por outras linhas de crédito em 2021:
- Cheque especial (pessoa física): R$ 348,484 bilhões
- Consignado (desconto em folha): R$ 231,124 bilhões
- Crédito pessoal (não consignado): R$ 164,616 bilhões