Uma escola francesa decidiu transformar a suspensão temporária em uma experiência educativa fora da sala de aula.
O colégio Philippe-Cousteau, em Tignieu-Jameyzieu, no departamento de Isère, fechou uma parceria com a prefeitura para receber alunos temporariamente excluídos em serviços municipais.
A proposta busca evitar que a punição termine em alguns dias passados em casa sem acompanhamento.
O modelo funciona como um tempo de responsabilização com finalidade educativa.
Suspensão na escola: parceria troca dias em casa por atividade educativa
A convenção entre o colégio e o município permite que, em determinadas situações, o estudante cumpra parte da medida em setores da administração local.
A intenção é dar conteúdo pedagógico ao período de afastamento e colocar o aluno diante de tarefas compatíveis com sua idade e com os objetivos definidos pela escola.
O caso chama atenção por levar a resposta disciplinar para fora do ambiente escolar.
Porém, a possibilidade de realizar medidas de responsabilização em uma prefeitura, associação ou outro órgão público já existe nas regras francesas.
A novidade está na parceria local criada pelo colégio com o município.
Medida não é emprego e depende de regras
Na França, a medida de responsabilização pode incluir atividades de solidariedade, cultura, formação ou uma tarefa com finalidade educativa.
A duração total não pode ultrapassar 20 horas e as atividades devem ocorrer fora das horas de aula.
Quando a ação acontece fora da escola, é necessária uma convenção com a instituição que recebe o estudante.
Também é preciso o consentimento do aluno e, no caso de menores de idade, de seu responsável legal.
A tarefa deve respeitar a dignidade do estudante, sua idade, suas capacidades e não pode colocar sua saúde em risco.
Lei francesa já permite alternativa à suspensão
As normas educacionais francesas autorizam que a medida de responsabilização seja usada como alternativa a certas suspensões temporárias.
Quando o estudante cumpre o compromisso, a sanção inicialmente aplicada pode ser substituída pelo registro da medida educativa, conforme as regras do sistema.
Isso significa que a experiência de Tignieu-Jameyzieu não cria uma nova punição nacional.
Ela aproveita um mecanismo já previsto e dá a ele uma aplicação concreta com apoio da prefeitura.
Experiência da escola é local e não muda regras no Brasil
O projeto pertence ao sistema educacional francês e não altera normas brasileiras.
Ainda assim, o caso mostra uma discussão comum às escolas:
- como tornar uma punição disciplinar mais educativa e reduzir o risco de a suspensão virar apenas um período sem aula e sem acompanhamento.
Para saber mais e receber notícias em tempo real, entre na nossa comunidade oficial do WhatsApp do FDR clicando aqui.
