Ser MEI não condena você a se aposentar no salário mínimo. Existe um caminho legal e simples para o Microempreendedor Individual mirar um benefício maior pelo INSS — de até cerca de R$ 3,2 mil por mês. O segredo está em complementar a contribuição mensal.
A maioria nem sabe que essa porta existe. Veja, na prática, o que fazer para começar hoje.
Por que a aposentadoria para MEI fica no salário mínimo?
Primeiro, entenda o ponto de partida. O MEI paga o INSS dentro do boleto mensal do DAS, recolhendo o equivalente a 5% do salário mínimo. É barato e garante direito a benefícios — mas tem um teto.
Essa contribuição de 5% dá acesso à aposentadoria limitada ao piso, ou seja, um salário mínimo (R$ 1.621 em 2026). Não importa se você contribuir por 15 ou 30 anos: pela regra do DAS sozinho, o valor final tende a sair no mínimo.
O passo a passo para aumentar o benefício
Para receber acima do piso, é preciso atingir a alíquota de 20% sobre a base que você quer usar como referência. O MEI faz isso somando uma complementação de 15% ao que já paga. Veja a ordem prática:
- Continue pagando o DAS normalmente (os 5% já inclusos no boleto mensal);
- Emita uma guia complementar (GPS) com o código de pagamento 1910, referente aos 15% que faltam;
- Calcule sobre a base desejada: para mirar dois salários mínimos, a conta usa a renda de referência de R$ 3.242;
- Pague todo mês, junto com o DAS, para a complementação valer no cálculo;
- Guarde os comprovantes e acompanhe se os recolhimentos aparecem no sistema.
Na prática, a complementação de 15% sobre R$ 3.242 sai por volta de R$ 486 mensais, somados ao valor do DAS. Parece muito, mas é o que separa a aposentadoria mínima de uma bem maior.
Compare os três cenários
Para ficar claro o que cada escolha entrega no longo prazo:
| Forma de contribuir | Alíquota | Aposentadoria possível |
|---|---|---|
| Só o DAS | 5% | Limitada ao salário mínimo |
| Plano simplificado | 11% | Em geral, limitada ao piso |
| DAS + complementação | 20% | Acima do mínimo, conforme a base |
Vale o alerta que muita gente ignora: o INSS calcula o benefício pela média de todas as contribuições e pelo tempo total. Pagar valor alto só nos últimos anos não resolve — quanto antes começar a complementar, maior o efeito.
Antes de mudar qualquer coisa, faça a simulação no aplicativo Meu INSS, onde dá para estimar o benefício com base no seu histórico real de contribuições.
