O cenário da logística e dos aplicativos de comida no Brasil acaba de dar um salto tecnológico impressionante, mas que tem gerado apreensão entre os trabalhadores do setor.
Desde o dia 1º de junho, o iFood colocou em operação comercial o seu sistema de entrega por drones na Grande São Paulo, operando ativamente na região de Barueri.
O que vai acontecer com os entregadores do iFood?
É o fim das entregas feitas por motoboys do iFood? Calma, não é bem assim. Embora o título levante preocupações válidas sobre o futuro do trabalho nas ruas, a realidade da operação é um pouco diferente de uma substituição total.
O projeto adota um modelo multimodal, ou seja, a máquina não exclui o humano. O drone atua em conjunto com a robô autônoma ADA e com os próprios entregadores de delivery convencionais para resolver gargalos históricos de trânsito e acesso.
A nova rota aérea foi criada especificamente para suprir trajetos que possuíam uma altíssima taxa de rejeição por parte dos motoboys.
Segundo dados da empresa, quase 50% dos pedidos destinados aos grandes condomínios residenciais da região metropolitana eram recusados pelos parceiros devido à dificuldade de acesso e ao longo tempo de espera nas portarias.
Como funciona as entregas do iFood com drones?
Para que a comida chegue quente e em tempo recorde à casa do cliente, o funcionamento do sistema foi fatiado em etapas estratégicas.
O fluxo do pedido originado no shopping Iguatemi Alphaville acontece da seguinte maneira:
| Etapa da entrega | Quem realiza | Como funciona |
| 1. Coleta no restaurante | Mensageiro humano ou Robô ADA | Retira o pedido direto no balcão da praça de alimentação e leva até a base de decolagem. |
| 2. Trajeto aéreo | Drone (Speedbird Aero) | Percorre um trecho de 3,6 quilômetros por cima da cidade em apenas 5 minutos. |
| 3. Pouso e recepção | Estrutura (Droneport) | O equipamento pousa em uma base segura instalada estrategicamente no condomínio. |
| 4. Entrega final (Last Mile) | Entregador Parceiro (Humano) | O trabalhador retira o lanche no droneport e finaliza a entrega na porta do consumidor. |
No modelo terrestre tradicional, o motoboy precisaria enfrentar o trânsito pesado e os bloqueios de segurança para fazer o mesmo percurso, o que podia levar até uma hora.
Com o uso da tecnologia, a plataforma consegue reduzir o tempo das entregas drasticamente, ampliar a cobertura dos restaurantes e aumentar a eficiência geral da operação na região.
Novidade no país e segurança do espaço aéreo
Uma operação dessa magnitude exige controle e monitoramento rigorosos. O modelo de drone utilizado pelo iFood foi desenvolvido pela empresa brasileira Speedbird Aero. O equipamento robusto é capaz de transportar cargas de até 5 quilos com total estabilidade.
Para garantir que não ocorram acidentes, todos os voos são monitorados em tempo real por um centro operacional tecnológico localizado na cidade de Franca, no interior do estado de São Paulo.
A iniciativa marca um feito inédito e histórico na aviação nacional: esta é a primeira rota de entrega por drones autorizada a sobrevoar áreas residenciais densamente povoadas no país.
A operação possui o aval e a autorização dos órgãos mais rígidos do setor, incluindo a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e o Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea).
