Os motoristas que costumam trafegar pelas rodovias brasileiras estão prestes a enfrentar uma mudança drástica na fiscalização de trânsito.
Para combater o famoso “morde e assopra” das pistas — onde o condutor freia brusco apenas ao passar pela câmera e acelera logo em seguida —, uma nova tecnologia de radares inteligentes que medem a velocidade média entrou em operação experimental na BR-101.
Onde vai ter novo radar de trânsito?
A iniciativa de instalar um novo radar está sendo testada no estado do Espírito Santo pela concessionária Eco101 (Ecovias Capixaba), responsável pela gestão do trecho.
O foco principal da concessionária é monitorar o comportamento dos motoristas e coletar dados para criar um ambiente viário muito mais seguro e consciente, reduzindo drasticamente o risco de acidentes graves nas estradas brasileiras.
Como funciona a tecnologia que calcula a velocidade média?
Ao contrário dos aparelhos tradicionais que registram a velocidade do automóvel em um único segundo exato, o novo sistema monitora o comportamento do condutor ao longo de todo o percurso.
O funcionamento técnico da ferramenta é simples, mas implacável:
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Primeiro registro: Um radar posicionado no início do trecho captura a placa do veículo e registra o horário exato de entrada.
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Segundo registro: Quilômetros à frente, um segundo radar fotografa novamente o mesmo automóvel e computa o horário de saída.
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Cálculo: O sistema calcula automaticamente o tempo que o motorista levou para ir de um ponto ao outro. Se o tempo de deslocamento for menor do que o limite legal permitido para aquele trecho, fica provado que o condutor andou acima do limite de velocidade.
Monitoramento na reserva ambiental de Sooretama registra abusos
Os testes práticos estão concentrados na região de Sooretama (ES), um trecho da BR-101 onde o limite de velocidade máxima é rigidamente fixado em 60 km/h.
A velocidade baixa no local não é por acaso: a rodovia corta uma importante reserva ambiental que abriga diversas espécies de animais protegidas por lei, tornando a redução de velocidade essencial para evitar atropelamentos ecológicos.
Durante a fase de monitoramento, o sistema inteligente flagrou abusos impressionantes. Em um dos casos registrados, um motorista conseguiu respeitar todas as fiscalizações eletrônicas tradicionais (passando devagar nos pontos fixos).
Porém, o cálculo de tempo revelou que ele manteve uma velocidade média assustadora de 124 km/h ao longo do trajeto protegido.
O novo radar pode gerar multas para o bolso do motorista?
Uma dúvida que paira na cabeça de quem viaja é sobre a aplicação de penalidades financeiras. Atualmente, esse sistema de velocidade média não gera multas ou pontos na CNH dos motoristas.
| Status do sistema | Situação legal vigente | Impacto no bolso |
| Fase atual (Testes) | Dispositivos operam apenas para coleta de dados e segurança. | Nenhuma multa é aplicada |
| Desafio regulatório | Legislação brasileira atual não prevê punição por média de tempo. | Depende de votação no Congresso |
A ausência de punição acontece porque o Código de Trânsito Brasileiro (CTB) ainda exige que a infração de velocidade seja medida de forma instantânea por aparelhos homologados.
No entanto, o sucesso dos testes na BR-101 já acendeu o debate entre juristas e autoridades de trânsito sobre a urgência de uma nova regulamentação para validar as multas automáticas por média de tempo, o que mudará de vez a rotina de quem viaja pelo país.
