O Itaú passou a integrar o Novo Desenrola Brasil, programa que permite a renegociação de dívidas bancárias com descontos e parcelamento facilitado para consumidores de baixa renda.
O movimento, porém, ocorre em meio a um contraste incômodo: enquanto oferece saída para clientes endividados, o banco também aparece ligado a um nó bilionário envolvendo grandes empresas em recuperação judicial.
A cifra chama atenção. Um levantamento aponta que o Itaú acumula cerca de R$ 21,19 bilhões em créditos relacionados a companhias que enfrentaram crise financeira, recuperação judicial ou falência nos últimos anos.
Itaú entra no Desenrola para renegociar dívidas
No Novo Desenrola Brasil, consumidores podem renegociar débitos diretamente com bancos e instituições financeiras participantes.
Pelas regras gerais do programa, a iniciativa atende pessoas com renda mensal de até cinco salários mínimos, desde que a dívida se enquadre nos critérios definidos pelo governo e pela instituição.
No caso do Itaú, a renegociação pode envolver dívidas como:
- cartão de crédito;
- limite da conta;
- crédito pessoal;
- contratos bancários elegíveis dentro das regras do programa.
As dívidas precisam ter sido contratadas até 31 de janeiro de 2026 e estar em atraso entre 90 dias e dois anos.
Dívida de R$ 21 bilhões expõe outro lado do banco
O ponto que dá força à pauta está no contraste. O mesmo banco que entra em uma campanha nacional para ajudar clientes a reorganizar dívidas também tenta lidar com uma exposição bilionária no crédito corporativo.
O valor de R$ 21,19 bilhões não está ligado ao Desenrola. Ele envolve grandes empresas que passaram por crises financeiras profundas.
Entre os nomes citados no levantamento estão grupos como Odebrecht, Oi, Americanas, Sete Brasil, Ambipar, Light e Schahin.
| Empresa citada | Valor associado ao Itaú |
|---|---|
| Odebrecht | R$ 7,3 bilhões |
| Oi | R$ 5 bilhões |
| Americanas | cerca de R$ 5 bilhões |
| Sete Brasil | R$ 2,1 bilhões |
| Ambipar | R$ 672 milhões |
| Schahin | R$ 756 milhões |
| Light | R$ 124 milhões |
Nó bilionário aumenta pressão sobre recuperação de crédito
Na prática, o banco não necessariamente perde todo esse dinheiro de uma vez. Parte dos valores pode ser renegociada, recuperada judicialmente ou vendida em carteiras de crédito.
Ainda assim, a cifra mostra o tamanho do desafio enfrentado por instituições financeiras quando grandes empresas deixam de honrar compromissos.
Para o consumidor comum, o efeito mais imediato está no Desenrola. Clientes com dívidas em atraso devem consultar os canais oficiais do Itaú para verificar se têm direito à renegociação.
Cliente deve comparar antes de fechar acordo
Mesmo com desconto, o acordo precisa caber no orçamento. Por isso, antes de aceitar uma proposta, o consumidor deve observar:
- valor final da dívida;
- número de parcelas;
- juros aplicados;
- impacto da parcela na renda mensal;
- risco de voltar à inadimplência.
O Desenrola, de fato, pode aliviar o bolso de quem está endividado. No entanto, o caso do Itaú mostra que o problema da dívida não está apenas entre consumidores: grandes empresas também deixaram um rombo difícil de resolver.
