A Copa do Mundo de 2026 ainda nem começou, mas já aparece como um possível gatilho de gastos, apostas e decisões financeiras impulsivas entre os brasileiros.
Uma pesquisa da Creditas, em parceria com a Opinion Box, revelou que 56% dos brasileiros consideram participar de bolões ou bets durante o torneio. O dado chama atenção porque o Mundial deve misturar emoção, torcida, socialização e pressão financeira em um mesmo cenário.
Apostas na Copa entram no orçamento dos brasileiros
O levantamento “Placar das Finanças: como o futebol mexe no bolso e na dívida dos brasileiros” mostra que as apostas esportivas já fazem parte da experiência de consumo ligada ao futebol.
Embora muitos vejam os palpites como diversão, parte dos entrevistados associa a prática a uma tentativa de aliviar o orçamento.
Entre os brasileiros que consideram apostar durante a Copa:
- 54% citam diversão e entretenimento como principal motivação;
- 31% dizem buscar uma forma de cobrir gastos do mês;
- 15% enxergam as apostas como possibilidade de renda extra para pagar dívidas.
Esse recorte acende um alerta porque transforma a bet em algo além do lazer. Para uma parcela dos brasileiros, a aposta aparece como uma tentativa de resolver um problema financeiro, o que pode ampliar riscos.
Endividados aparecem como grupo mais exposto
O dado mais sensível da pesquisa está entre quem já possui dívidas. Segundo o estudo, 79% dos brasileiros endividados consideram apostar durante a Copa, contra 48% entre quem não possui dívidas.
Na prática, isso mostra que o público financeiramente mais pressionado também é o mais propenso a participar de bolões ou bets no período.
Jovens também entram no radar
Além disso, a pesquisa aponta forte adesão entre os jovens. Entre pessoas de 18 a 24 anos, faixa que não tem memória do último título mundial do Brasil, 69% afirmam considerar apostar durante a Copa.
Esse comportamento pode ser impulsionado pelo peso emocional do torneio, pela presença das apostas no ambiente digital e pela busca por experiências ligadas ao futebol.
Copa pode estimular gastos sem planejamento
O risco não aparece apenas nas bets. A pesquisa mostra que 74% dos entrevistados pretendem gastar dinheiro ao longo da Copa. Entre eles, 80% afirmam que poderiam fazer isso sem planejamento para acompanhar a Seleção.
Os gastos podem envolver encontros com amigos, comida, bebida, deslocamentos, camisas, televisores e outros itens ligados ao clima do Mundial.
Outro dado reforça essa tendência: 49% dos entrevistados afirmam que momentos de socialização, como assistir aos jogos com amigos e familiares, justificam gastar além do previsto.
Diversão precisa ter limite financeiro
O educador financeiro Guilherme Casagrande, da Creditas, avalia que a Copa cria um ambiente de forte mobilização emocional e social. Segundo ele, esse cenário pode flexibilizar decisões financeiras que normalmente seriam tomadas de forma mais racional.
Por isso, o principal cuidado para 2026 será separar entretenimento de tentativa de renda. Apostas e gastos com a Copa podem fazer parte da diversão, desde que não comprometam contas básicas, dívidas já existentes ou o orçamento dos meses seguintes.
