A cesta básica voltou a pesar no bolso dos moradores de Belo Horizonte em abril. Segundo levantamento da Fundação Ipead/UFMG, o conjunto de alimentos essenciais chegou a R$ 767,64, após alta de 0,86% no mês.
Com esse valor, a cesta passou a comprometer 47,3% do salário mínimo. Na prática, quase metade da renda mínima fica concentrada apenas na compra dos 13 produtos alimentares acompanhados pela pesquisa.
Cesta básica sobe em BH e pressiona o salário mínimo
O avanço de abril chama atenção porque, embora o percentual pareça moderado, ele ocorre sobre uma base já elevada. Por isso, qualquer reajuste nos alimentos básicos afeta diretamente famílias que dependem de renda menor.
A comparação com o salário mínimo ajuda a dimensionar o problema. Dos R$ 1.621 pagos atualmente, R$ 767,64 seriam destinados apenas à cesta, sem considerar moradia, transporte, energia, gás, medicamentos e outras despesas mensais.
Esse cenário reforça uma sensação comum entre consumidores: o preço de alguns itens até cai, porém o alívio não chega de forma suficiente ao orçamento doméstico.
Carne, manteiga e pão puxam a alta em abril
Entre os produtos que mais subiram no mês, a manteiga teve o maior avanço, com alta de 7,66%. Em seguida aparecem o chã de dentro, com aumento de 5,65%, e o pão francês, que ficou 4,14% mais caro.
No caso da carne, o impacto é ainda mais sensível porque o produto tem peso relevante na composição da cesta básica. A pressão sobre o item foi associada ao aumento das exportações brasileiras, especialmente para a China, o que reduz a oferta no mercado interno.
Produtos que mais encareceram
| Produto | Alta em abril |
|---|---|
| Manteiga | 7,66% |
| Chã de dentro | 5,65% |
| Pão francês | 4,14% |
A manteiga também sentiu os efeitos da menor oferta de leite e dos custos de produção. Já o pão francês segue pressionado por fatores ligados ao trigo, transporte e cadeia de abastecimento.
Quedas em outros alimentos não seguram o custo final
Apesar da alta geral, alguns produtos ficaram mais baratos em abril. A banana caturra, por exemplo, caiu 13,84%, o feijão carioquinha recuou 11,25% e o café moído teve queda de 7,08%.
Também houve redução nos preços da batata inglesa, do tomate, do açúcar cristal e do óleo de soja. No entanto, esses recuos não foram suficientes para compensar o aumento dos itens com maior peso no orçamento.
Com isso, a cesta básica acumula alta de 3,35% em 2026, acima da inflação oficial de Belo Horizonte no período. O dado mostra que os alimentos essenciais continuam avançando em ritmo mais forte do que a média geral de preços.
Embora o comprometimento atual seja menor que o registrado em abril de 2025, quando a cesta consumia 50,89% do salário mínimo, o peso segue elevado. Para quem vive com renda apertada, a diferença entre estabilidade e sufoco continua passando pelo preço da comida.
