Protesto na capital paulista mira o Projeto de Lei que regulamenta o trabalho por aplicativos. Categoria teme perda de autonomia e aumento de impostos.
A manhã desta terça-feira (14) começou com trânsito intenso e buzinaço nas principais vias de São Paulo. Motoristas de aplicativos como Uber e 91 organizaram uma grande carreata em protesto contra o Projeto de Lei (PL) das Plataformas, que tramita no Congresso e promete mudar radicalmente as regras do setor.
O movimento reflete uma divisão na categoria: enquanto o governo defende direitos previdenciários, os motoristas temem que a conta acabe sobrando para eles e para o passageiro.
“A gente está lutando contra um projeto de lei que não nos favorece, só protege as empresas. Aqui é a união dos ‘bike’, dos motociclistas, dos motoboys… Estão vindo vários, os motoristas de carro, da Uber e da 99. É uma soma aqui para todos, para mostrar a força do trabalhador”, diz Edgar Francisco é presidente da Associação de Aplicativos e Autônomos do Brasil.
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O centro da polêmica é a criação de uma nova categoria profissional: o “trabalhador autônomo com plataforma”. Os manifestantes em São Paulo alegam que o projeto, da forma como está escrito, traz três grandes riscos:
- Aumento da carga tributária: A contribuição obrigatória para o INSS pode reduzir o ganho líquido por viagem.
- Perda de autonomia: O medo de que as plataformas passem a exigir horários ou metas mais rígidas, assemelhando-se ao regime CLT, mas sem todos os benefícios.
- Valor da hora trabalhada: A categoria exige um reajuste maior no valor mínimo pago por hora, alegando que o custo de manutenção dos veículos e o combustível dispararam em 2026.
Para quem utiliza os aplicativos para se locomover, o impacto pode ser direto na tarifa. Especialistas do setor indicam que, caso o PL seja aprovado com a atual estrutura de impostos, as empresas devem repassar o custo adicional aos usuários, tornando as viagens mais caras. Além disso, há o risco de redução da frota disponível em horários de pico.
