O Governo Federal discute um novo programa inspirado no Desenrola Brasil, com possibilidade de uso do FGTS para quitar dívidas. A proposta ainda está em construção, mas já levanta preocupação entre especialistas por repetir estratégias que não resolveram o problema estrutural do endividamento no país.
Dados recentes mostram que o cenário é delicado. Inclusive, o endividamento das famílias brasileiras atingiu 80,2% em março de 2026, o maior nível da série histórica, enquanto a inadimplência segue em alta.
Como funcionaria o novo Desenrola com FGTS
A nova proposta deve ser apresentada por meio de Medida Provisória e pode permitir que trabalhadores utilizem o saldo do FGTS para quitar ou renegociar dívidas.
Na prática, isso funcionaria como uma antecipação de recursos do fundo para aliviar o orçamento das famílias. Porém, ainda não há detalhes sobre regras, limites ou quem poderá aderir.
- Uso do FGTS para pagamento direto de dívidas
- Possibilidade de refinanciamento com melhores condições
- Modelo semelhante ao Desenrola anterior
Apesar do potencial de aliviar contas no curto prazo, especialistas alertam que a medida pode apenas “trocar” um problema por outro.
Por que o novo programa gera preocupação
O Instituto de Defesa do Consumidor (Idec) avalia que o novo Desenrola pode repetir erros do passado, principalmente por focar apenas na renegociação.

Segundo o órgão, o programa anterior teve impacto limitado e temporário na inadimplência.
Ou seja, ajudou a limpar o nome de muitos brasileiros, porém, não evitou que eles voltassem a se endividar pouco tempo depois. Entre os principais alertas:
- Falta de debate público na criação da proposta
- Ausência de avaliação clara do programa anterior
- Risco de benefício maior para bancos do que para consumidores
- Possibilidade de uso de um recurso importante, como o FGTS
Outro ponto crítico envolve o cartão de crédito, que segue como vilão. As taxas do rotativo passam de 400% ao ano e concentram grande parte da inadimplência no país.
O que está por trás do aumento das dívidas no Brasil
O problema vai além da renegociação de débitos existentes. Afinal, especialistas apontam fatores estruturais que continuam pressionando o orçamento das famílias. Entre eles:
- Alta oferta de crédito fácil
- Juros elevados
- Renda insuficiente
- Crescimento das apostas online (bets)
Mesmo com inflação controlada e emprego em níveis razoáveis, a renda ainda não acompanha o custo de vida, o que leva à dependência de crédito caro.
Esse cenário faz com que programas como o Desenrola funcionem apenas como alívio temporário, sem resolver a raiz do problema.
O que pode mudar para quem está endividado
Caso o novo Desenrola seja aprovado, o impacto imediato pode ser positivo para quem precisa renegociar dívidas.
Por outro lado, o uso do FGTS exige atenção. O fundo é uma reserva importante, especialmente em situações como demissão ou compra da casa própria.
Veja o que observar:
| Ponto | Atenção necessária |
|---|---|
| Uso do FGTS | Pode reduzir sua reserva futura |
| Renegociação | Verificar juros e condições |
| Dívidas antigas | Cuidado com cobranças indevidas |
| Ofertas | Desconfiar de golpes |
A experiência anterior também mostrou aumento de fraudes e dificuldades de acesso, o que reforça a necessidade de cautela.
Desenrola resolve ou apenas adia o problema?
O debate sobre o novo programa gira em torno de uma questão central: resolver o endividamento ou apenas adiar o problema.

Especialistas defendem que medidas mais amplas são necessárias, como:
- Regras mais rígidas para concessão de crédito
- Avaliação da capacidade de pagamento do consumidor
- Maior transparência nos contratos
- Monitoramento após renegociação
Sem essas mudanças, o risco é repetir o ciclo: renegociar hoje e voltar a dever amanhã.
O possível Desenrola 2.0 surge como resposta a um cenário recorde de endividamento no Brasil, mas ainda carrega dúvidas importantes. A ideia de usar o FGTS pode ajudar no curto prazo, porém levanta questionamentos sobre o impacto no longo prazo.
De todo modo, a decisão final deve equilibrar alívio imediato para as famílias com soluções estruturais que evitem que o problema continue se repetindo.
