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Receita Federal faz limpa e exclui 3,9 milhões de MEIs

Por Matheus Azevedo
5 de abril de 2026
Fachada da Receita Federal, em Brasília. — Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O MEI sempre foi visto como o caminho mais simples para formalizar pequenos negócios no Brasil. Só que esse cenário começou a mudar. A Receita Federal apertou o cerco e passou a excluir milhões de registros que não atendiam mais às regras do regime.

Foto: Joédson Alves/Agência Brasil
Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

Nos últimos anos, o modelo passou a ser usado de forma irregular por parte dos contribuintes. Agora, com fiscalização mais eficiente, muita gente está sendo retirada do sistema.

Pente-fino da Receita Federal derruba milhões de registros

Em 2025, a Receita Federal retirou 3,9 milhões de MEIs do SIMEI, sistema de tributação da categoria.

A maior parte desses casos envolve empresas inativas ou abandonadas, que já não cumpriam as exigências básicas.

Foram mais de 3,7 milhões nessa situação.

Mas não foi só isso.

O excesso de faturamento também apareceu como um dos principais motivos de exclusão.

Limite de faturamento virou o principal problema

O MEI tem um teto claro: R$ 81 mil por ano.

Quem ultrapassa esse valor precisa migrar para outro regime.

Em 2025, os números chamam atenção:

  • 18.591 MEIs ultrapassaram o limite em mais de 20%
  • 60.637 ultrapassaram em até 20%
  • 3.720 excederam já no primeiro ano

No total, mais de 83 mil empresas foram desenquadradas por faturamento acima do permitido sem aviso prévio.

Fiscalização digital mudou o jogo na Receita Federal

A grande virada aconteceu quando a Receita passou a cruzar dados automaticamente.

Hoje, o sistema analisa informações de:

  • PIX
  • Cartões de crédito
  • Maquininhas
  • Marketplaces
  • Movimentações bancárias (e-Financeira)

Com isso, inconsistências ficaram mais fáceis de identificar.

Em 2024, mais de 571 mil MEIs foram excluídos ou desenquadrados por esse tipo de análise. Trata-se de um salto enorme em relação ao ano anterior.

Quando o erro vira fraude

Nem toda irregularidade é fraude.

Mas quando existe intenção de esconder informações, a situação muda.

Entre as práticas mais comuns identificadas estão:

  • Dividir faturamento em vários MEIs
  • Usar contas diferentes para esconder receita
  • Declarar menos do que realmente faturou
  • Não registrar pagamentos em PIX ou dinheiro

Nesses casos, a situação pode ser enquadrada como crime contra a ordem tributária, com pena de 2 a 5 anos de prisão, além de multa.

Consequências podem pesar no bolso

As penalidades não são leves. Quem é desenquadrado pode sofrer:

  • Cobrança retroativa de impostos
  • Multas de até 75% do valor devido
  • Exclusão do Simples Nacional

Quando o faturamento ultrapassa mais de 20% do limite, o reenquadramento retroativo volta até janeiro do ano da infração.

O que fazer para não cair na fiscalização

Para evitar problemas, o controle precisa ser constante.

Não dá mais para confiar apenas na memória ou em estimativas.

Algumas práticas ajudam a manter o negócio regular:

  • Acompanhar o faturamento mensal com precisão
  • Separar contas pessoais e empresariais
  • Controlar entradas e saídas com atenção
  • Usar corretamente maquininhas e PIX
  • Emitir notas fiscais sempre que possível

Além disso, planejar a transição para microempresa antes de estourar o limite evita dor de cabeça.

 
 

Matheus Azevedo

Matheus Azevedo

Matheus Azevedo é jornalista formado pelo Centro Universitário UNA, em Belo Horizonte. Atua com o digital desde quando saiu da faculdade. É apaixonado por SEO e, sobretudo por carros, finanças e dados. Entende que todos podem entender números. Contudo, é papel do jornalista transformá-los em informações mais claras e organizadas para ajudar o leitor a ter um conteúdo mais completo e informativo. E-mail: matheusazevedo@gridmidia.com

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