O fantasma do desabastecimento e da disparada nos preços dos combustíveis volta a assombrar o Brasil. Diante da alta de 11,8% no diesel em apenas uma semana, lideranças dos caminhoneiros articulam uma paralisação nacional que pode levar o preço da gasolina a patamares históricos, superando os R$ 10,00.

A mobilização ganha força devido à insatisfação com o descumprimento do piso mínimo do frete. Embora o governo tenha anunciado reajustes entre 4,8% e 7% nas tabelas, a categoria afirma que os valores não são respeitados pelas transportadoras, o que torna a operação de transporte insustentável.
O cenário é agravado pela instabilidade no Oriente Médio, que pressiona o preço do barril de petróleo no mercado internacional. Autoridades federais monitoram a situação para evitar que a economia sofra um choque similar ao da greve de 2018, quando o desabastecimento paralisou o país.
Definição da greve depende de Medida Provisória
O presidente da Abrava, Wallace Landim (Chorão), afirmou que a categoria aguarda uma definição do Ministério dos Transportes até esta sexta-feira (20). O ponto central da negociação é o chamado “travamento eletrônico dos fretes”, uma tecnologia que impediria o pagamento de valores abaixo do piso legal.
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Fiscalização Eletrônica: A categoria exige que o governo cumpra a promessa de automatizar a fiscalização do frete.
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Cenário de 2018: O temor é a repetição da escalada de preços, que na época fez o combustível atingir picos de R$ 10,56 em algumas regiões.
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Bloqueios e Multas: O governo já alertou que bloqueios em rodovias federais podem gerar multas pesadas, chegando a R$ 10 mil.
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Isenção de IPVA: Como aceno à categoria, alguns estados já anunciaram a isenção de IPVA para caminhões e ônibus em 2026.
Impacto direto no bolso do consumidor brasileiro
A preocupação com a greve já gera reflexos nos postos de combustíveis, com relatos de filas e falta de produto em algumas regiões do país. Se a paralisação for confirmada, o efeito cascata atingirá o transporte de alimentos, elevando drasticamente a inflação da cesta básica.
Especialistas em economia alertam que o governo tem pouco espaço de manobra fiscal para subsidiar novos descontos no diesel sem comprometer as metas do orçamento. A solução passa por uma estabilização diplomática no exterior ou por um acordo robusto que garanta a rentabilidade dos motoristas autônomos.
Até o momento, a orientação para os motoristas é manter o planejamento de rotas e evitar o pânico, embora o risco de um desabastecimento localizado seja real caso as negociações não avancem nas próximas 24 horas. O desfecho dessa crise será o principal termômetro para a estabilidade do mercado de transportes neste primeiro semestre.
