A possibilidade de os Estados Unidos classificarem as facções criminosas brasileiras Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas representa a primeira grande armadilha eleitoral para a campanha presidencial de 2026 no Brasil, impulsionada por Donald Trump.

Principais Informações e Contexto
Embora a brutalidade das facções seja inquestionável, com responsabilidade por crimes bárbaros, ataques a civis e domínio territorial armado, a legislação brasileira não enquadra CV e PCC como organizações terroristas. A razão é jurídica: A lei antiterrorismo brasileira exige motivação política com objetivo de desestabilizar ou derrubar o Estado, o que não se aplica a essas facções, cujo foco principal é o lucro através do crime organizado.
A armadilha está na interpretação política que pode ser dada a essa distinção jurídica, pois caso o governo brasileiro explique a diferença legal ao governo americano, a oposição, encabeçada pelo senador e pré-candidato a presidência Flávio Bolsonaro (PL), pode distorcer a narrativa, acusando o governo Lula de “proteger” as facções, mesmo sem base legal para tal afirmação.
O Debate nos EUA e a Posição Brasileira
Fontes do governo brasileiro indicam que o Ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, já tratou do assunto com o Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio. O objetivo é evitar a classificação das facções como Organizações Terroristas Estrangeiras, temendo que isso possa ser usado como justificativa para operações militares na região, em nome do combate ao narcotráfico.
A proposta de classificação, segundo fontes ligadas ao governo Trump, está avançada e deve ser levada ao Congresso americano para ratificação.
Histórico de Narrativas Políticas
Essa estratégia de associar o petista ao crime organizado não é nova. Na campanha de 2022, houve exploração da visita de Lula ao Complexo do Alemão como suposta proximidade com o CV. Narrativas anteriores já vincularam o PT e o Foro de São Paulo ao crime organizado na América Latina.
A movimentação diplomática brasileira para evitar a classificação já está sendo explorada nas redes sociais, com simplificações que ignoram o debate jurídico e diplomático envolvido.
O Que Esperar
A discussão sobre a classificação de CV e PCC como terroristas pelos EUA pode se tornar um ponto central no debate político interno brasileiro, especialmente no período pré-eleitoral de 2026, com potencial para desinformação e ataques políticos.