A vacina brasileira contra a dengue, desenvolvida pelo Instituto Butantan, pode marcar uma virada no combate à doença no país. Assim, nos próximos anos, especialistas esperam mudanças importantes na forma como o Brasil enfrenta surtos da doença.

O imunizante, conhecido como Butantan-DV, nasceu para proteger contra os quatro tipos do vírus da dengue. Como utiliza tecnologia de vírus atenuado e exige apenas uma dose. A estratégia, aliás, pode facilitar campanhas de vacinação em larga escala.
Nos estudos clínicos, a vacina apresentou cerca de 74,7% de eficácia contra dengue sintomática. Já contra formas graves da doença, a proteção ultrapassou 90%, o que reforça o potencial de reduzir hospitalizações no país.
Quem deve tomar a vacina da dengue do Butantan
Inicialmente, a vacina foi aprovada para pessoas entre 12 e 59 anos. A aplicação pode ocorrer tanto em quem já teve dengue quanto em quem nunca contraiu a doença.
Essa característica, sem dúvida, representa um avanço em relação a imunizantes mais antigos, que exigiam confirmação de infecção anterior.
Entre os grupos que podem receber a vacina estão:
- adolescentes e adultos entre 12 e 59 anos
- pessoas que já tiveram dengue
- pessoas que nunca foram infectadas
Por outro lado, alguns públicos ainda não estão incluídos na recomendação atual.
Entre eles estão:
- crianças menores de 12 anos
- idosos acima de 60 anos
- pessoas com imunossupressão grave
Apesar disso, novos estudos já analisam a possibilidade de ampliar a faixa etária nos próximos anos.
O que pode mudar no Brasil até 2030
A vacina brasileira surge em um momento em que a dengue se tornou uma preocupação crescente no país. Em diversas regiões, surtos recentes pressionaram hospitais e aumentaram o número de casos graves.
Nesse cenário, a chegada de um imunizante nacional pode alterar o panorama da doença. Especialistas apontam quatro mudanças possíveis até o fim da década:
| Mudança esperada | O que pode acontecer |
|---|---|
| Ampliação da produção | Mais doses disponíveis para campanhas nacionais |
| Entrada no SUS | Inclusão definitiva no Programa Nacional de Imunizações |
| Expansão da faixa etária | Possível vacinação de crianças e idosos |
| Redução de casos graves | Menos hospitalizações e mortes por dengue |
Com a produção ampliada, o Brasil pode aplicar milhões de doses por ano. Isso permitiria campanhas mais amplas em regiões com maior incidência da doença.
Vacina da dengue não substitui o combate ao mosquito
Apesar do avanço representado pela vacina, especialistas alertam que a prevenção continua sendo fundamental. Afinal o mosquito Aedes aegypti, responsável pela transmissão da dengue, também transmite outras doenças:
- chikungunya
- zika
- febre amarela urbana
Por isso, medidas simples continuam sendo essenciais no dia a dia, como, por exemplo:
- eliminar água parada
- manter caixas d’água fechadas
- limpar calhas e recipientes
- descartar lixo corretamente
A vacina pode reduzir formas graves da doença. Porém, o controle do mosquito ainda é considerado a principal barreira contra novas epidemias.
