A CPI do INSS divulgou dados que mostram a movimentação financeira de R$ 19,5 milhões em contas ligadas a Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, entre 2022 e 2026.
Os valores vieram à tona após a quebra de sigilo bancário e fiscal aprovada pela comissão, que investiga suspeitas de fraude contra aposentados e pensionistas do INSS.

Segundo os registros analisados pela CPI, os valores incluem entradas e saídas em contas bancárias, além de transferências envolvendo empresas e pessoas ligadas ao empresário.
O que mostram os dados da quebra de sigilo
Os documentos apontam que, entre 3 de janeiro de 2022 e 30 de janeiro de 2026, a conta analisada registrou movimentação total de R$ 19,5 milhões. Assim, o relatório indica:
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R$ 9,774 milhões em créditos (valores que entraram na conta)
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R$ 9,758 milhões em débitos (valores que saíram)
Esses dados fazem parte das informações obtidas pela CPI após autorização para acesso aos registros financeiros.
Parte das transações estaria ligada a movimentações entre empresas do próprio Lulinha. Entre elas aparecem:
| Empresa | Valor movimentado |
|---|---|
| LLF Tech Participações | cerca de R$ 2,3 milhões |
| G4 Entretenimento e Tecnologia | cerca de R$ 772 mil |
As duas companhias estão registradas em São Paulo e possuem atividades relacionadas a tecnologia, marketing, consultoria empresarial e treinamento profissional.
Transferências feitas por Lula também aparecem nos registros
Entre os documentos analisados pela CPI aparecem três transferências feitas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao filho, que somam R$ 721,3 mil.
A maior delas foi registrada em 22 de julho de 2022, no valor de R$ 384 mil, durante o período em que Lula se preparava para disputar novamente a Presidência.
Outras duas transferências ocorreram em 27 de dezembro de 2023, já no primeiro ano do terceiro mandato do presidente.
Segundo a defesa de Lulinha, esses valores seriam relacionados a:
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adiantamento de herança
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reembolso de despesas feitas pelo empresário
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empréstimos a empresas ligadas à família
Os advogados afirmam que todas as movimentações são legítimas e declaradas.
Investigação da CPI busca relação com esquema no INSS
A quebra de sigilo ocorreu no contexto das investigações da CPI que apura fraudes contra aposentados e pensionistas do INSS.
A comissão investiga suspeitas de ligação entre Lulinha e o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, preso sob suspeita de participação em um esquema de desvio de recursos de beneficiários.
Além da CPI, o caso também passou por análise no Supremo Tribunal Federal.
No início do ano, o ministro André Mendonça autorizou que a Polícia Federal examinasse dados financeiros do empresário no âmbito das investigações.
A defesa de Lulinha nega qualquer irregularidade e afirma que não há relação entre as movimentações financeiras e as fraudes investigadas no INSS.
Segundo os advogados, é “gritante a ausência de qualquer elemento que ligue os dados financeiros ao objeto investigado pela CPI”.
