A CPMI do INSS cancelou os depoimentos previstos para esta segunda-feira (2), porém manteve a sessão deliberativa em andamento. A decisão aumenta a tensão política em torno das investigações sobre descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas.

Os parlamentares aguardavam três oitivas consideradas estratégicas para avançar na apuração do suposto esquema envolvendo associações e contratos suspeitos. Ainda assim, a comissão optou por manter os trabalhos e discutir novos encaminhamentos.
O foco da investigação, de todo modo, continua sendo o possível desvio bilionário por meio de cobranças não autorizadas diretamente na folha de pagamento de beneficiários do INSS.
Por que os depoimentos foram cancelados?
A comissão havia convocado três nomes ligados ao núcleo investigado. No entanto, Aline Barbara Mota de Sá Cabral apresentou um pedido de habeas corpus no Supremo Tribunal Federal e não compareceu. Diante disso, parlamentares articulam a votação de uma possível condução coercitiva.
Já o advogado de Aline, Cecílio Galvão, não foi localizado para receber a intimação formal. O presidente da Empresa de Processamento de Dados da Previdência Social (Dataprev), Rodrigo Ortiz D’Avila Assumpção, era o nome mais aguardado.
Porém, alegou estar em uma viagem que não permitiu que comparecesse. As informações são de apuração da CNN.
Com isso, a CPMI concentrou o debate em requerimentos pendentes e na estratégia para garantir a presença dos investigados nas próximas reuniões. O ambiente político ficou mais acirrado, sobretudo entre governistas e oposição, que divergem sobre o ritmo e a condução das apurações.
O que a CPMI do INSS investiga em 2026?
A comissão apura suspeitas de fraudes relacionadas a descontos associativos aplicados sem autorização em aposentadorias e pensões. Segundo estimativas preliminares já discutidas no Congresso, os valores podem alcançar cifras bilionárias ao longo dos últimos anos.
Em síntese, o esquema envolveria convênios firmados entre o INSS e entidades que passaram a descontar mensalidades diretamente dos benefícios. Muitos segurados afirmam que nunca autorizaram a filiação.
Principais pontos sob investigação
| Tema investigado | O que está em análise |
|---|---|
| Descontos indevidos | Cobrança sem autorização formal do beneficiário |
| Contratos com associações | Legalidade e critérios de credenciamento |
| Intermediação e lobby | Atuação de operadores junto ao INSS |
| Responsabilidade administrativa | Falhas de controle e fiscalização |
Enquanto isso, parlamentares discutem a quebra de sigilos e novas convocações para esclarecer a estrutura dos contratos e identificar possíveis responsáveis.
Por outro lado, integrantes da base governista defendem cautela para evitar politização excessiva da comissão. Já a oposição pressiona por medidas mais duras, como conduções coercitivas e aprofundamento das quebras de sigilo.
A manutenção da sessão, mesmo sem depoimentos, indica que a CPMI deve intensificar os trabalhos nas próximas semanas. Inclusive, você acompanha as demais atualizações da CPMI do INSS aqui, no FDR!