O energético “Sabor Tadala”, de fato, virou fenômeno de vendas no Brasil durante o carnaval de 2026. Em apenas 25 dias após o lançamento, o produto ultrapassou 23 milhões de pedidos, segundo dados divulgados pela própria marca.

O sucesso acelerado, porém, abriu espaço para uma reação dos órgãos de defesa do consumidor. Nesta semana, a Secretaria de Estado de Defesa do Consumidor e o Procon estadual determinaram a suspensão da publicidade, oferta e comercialização do produto no estado.
Por que o energético “Sabor Tadala” foi suspenso?
O principal ponto questionado envolve a referência ao nome popular da Tadalafila, medicamento de tarja vermelha indicado para disfunção erétil.
Segundo o Procon, a associação pode induzir o consumidor a acreditar que a bebida teria efeito semelhante ao do remédio. Porém, na prática isso não possui comprovação científica.
A empresa afirma que o produto não contém qualquer substância medicamentosa e que o nome teria caráter humorístico e cultural. Ainda assim, o órgão abriu processo administrativo para avaliar possível prática de publicidade enganosa.
Além disso, a decisão vale para lojas físicas e vendas online dentro do estado.
Whisky Mansão Maromba também entra na mira
O chamado “Sabor Energético”, ligado ao Whisky Mansão Maromba, também passou a ser investigado.
Isso porque, o produto apresenta 37% de teor alcoólico. Pela legislação brasileira, para ser classificado como whisky, a bebida precisa ter no mínimo 38% de graduação alcoólica.
No rótulo consta a denominação “coquetel alcoólico”, mas a forma de oferta ao público teria ocorrido como whisky. Para os órgãos de defesa, essa divergência pode confundir o consumidor quanto à natureza do produto.
Sucesso nas redes impulsionou vendas
O caso ganhou proporção nacional após viralizar nas redes sociais.
No TikTok e no Instagram, vídeos relacionados ao produto ultrapassaram milhões de visualizações, impulsionados por memes, influenciadores e debates públicos.
Esse engajamento digital ajudou a transformar o lançamento em um dos mais comentados do segmento de energéticos em 2026. O mercado brasileiro de bebidas energéticas, que já vinha em crescimento nos últimos anos, encontrou no apelo humorístico um catalisador de vendas rápidas.
O que pode acontecer agora com o Toguro e a Baly?
As empresas terão prazo para apresentar esclarecimentos e comprovar que a rotulagem e a publicidade seguem as normas legais.
Caso as irregularidades sejam confirmadas, então, pode haver aplicação de sanções administrativas, incluindo multas.
O Código de Defesa do Consumidor considera enganosa qualquer informação capaz de induzir o público ao erro quanto à natureza, composição ou características do produto.
A decisão reacende o debate sobre os limites do marketing viral. De um lado, a estratégia gerou números expressivos em tempo recorde. De outro, levanta questionamentos sobre até onde a criatividade publicitária pode avançar sem ultrapassar a legislação.