
Imagem: Times Brasil
O cenário comercial entre Brasil e Estados Unidos sofreu uma reviravolta dramática neste fim de semana. Após a Suprema Corte americana derrubar o antigo “tarifaço” baseado em leis de emergência, o presidente Donald Trump reagiu imediatamente. No sábado (21), Trump anunciou a elevação da tarifa global de importação para 15%, superando os 10% que haviam sido ventilados horas antes. Certamente, essa medida coloca o mercado brasileiro em alerta máximo sobre o custo de exportação e o impacto nos preços internos.
Inegavelmente, a decisão de Trump é um “plano B” para contornar a derrota judicial. Por esse motivo, o Governo Brasileiro, através do vice-presidente Geraldo Alckmin, já se manifestou com o intuito de tranquilizar o setor produtivo e entender como o Brasil fica posicionado nesta nova guerra comercial.
A resposta de Trump à Suprema Corte
Em primeiro lugar, é preciso entender que a Suprema Corte dos EUA decidiu que Trump extrapolou sua autoridade ao usar a IEEPA (Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional) para impor taxas unilaterais. No entanto, menos de 24 horas após a derrota, o presidente usou sua rede social Truth Social para anunciar o novo percentual de 15%.
Dessa maneira, Trump justifica que a medida visa corrigir “práticas comerciais injustas” que prejudicam a economia americana. Consequentemente, o governo dos EUA deve publicar nas próximas semanas os detalhes jurídicos que sustentam esse novo aumento global, que deve entrar em vigor de forma imediata.
Como o Brasil é afetado? O impacto na sua mesa
Visto que os Estados Unidos são um dos maiores parceiros comerciais do Brasil, qualquer taxa adicional encarece o produto brasileiro lá fora. Por outro lado, isso pode gerar um efeito cascata: se as empresas brasileiras gastarem mais para exportar, podem tentar compensar o lucro aumentando preços no mercado interno.
De acordo com o vice-presidente Geraldo Alckmin, a situação anterior era pior, pois o Brasil enfrentava uma sobretaxa de 40% que outros países não tinham. Com a queda dessa taxa específica pela Suprema Corte, o Brasil volta a ter uma tarifa de 10% (agora elevada para 15%) que é igual para todos os países.
Produtos Beneficiados pela queda da taxa de 40%:
- Café solúvel, carnes e frutas: Itens que haviam sido sobretaxados e agora entram na regra global.
- Máquinas Agrícolas e Motores: Itens essenciais da indústria que recuperam competitividade.
- Madeira e Armamentos: Setores que sofriam com a exclusividade da taxa alta.
O “Tarifaço” em números: O que muda agora?
Apesar da comemoração inicial do governo brasileiro com a decisão do tribunal, o novo anúncio de Trump de elevar a taxa global para 15% traz uma nova camada de incerteza. Portanto, o cenário atual para o exportador brasileiro é o seguinte:
- Regra Geral: Tarifa normal do produto + adicional global de 15%.
- Aço e Alumínio: Permanecem com alíquotas de 50%, somadas ao novo adicional.
- Duração: A nova medida deve ter validade inicial de 150 dias, enquanto o governo americano define as “tarifas legais permanentes”.
Inclusive, Alckmin reforçou que, se a tarifa é global, o Brasil não perde competitividade relativa frente aos concorrentes, pois todos pagarão os mesmos 15%. Em resumo, a mesa do brasileiro pode sentir o impacto indireto pela valorização do dólar e custos logísticos, mas o setor industrial respira um pouco melhor sem a perseguição da taxa de 40%.