Motoristas e pedestres podem estar mais expostos no trânsito por um motivo que vai além das infrações.
Equipamentos de fiscalização passaram a virar alvo direto de criminosos interessados nas peças e nos metais que existem dentro dos radares.
O problema já acende alerta entre autoridades e prefeituras, principalmente em grandes centros urbanos.
Na prática, a retirada e a sabotagem desses dispositivos reduzem a capacidade de fiscalização em pontos críticos da cidade; justamente onde há histórico de acidentes, excesso de velocidade e atropelamentos.
O que está por trás dos ataques a radares nas cidades
Cada radar instalado nas vias pode custar entre R$ 100 mil e R$ 150 mil, dependendo do modelo. O valor que atrai criminosos não está no equipamento inteiro, mas nos componentes internos.
Dentro dos aparelhos existem:
- câmeras e processadores;
- fiação metálica;
- placas eletrônicas;
- metais de alto valor comercial.

De todo modo, entre os materiais mais visados estão:
- cobre,
- prata,
- estanho,
- chumbo,
- níquel,
- pequenas quantidades de ouro, platina, paládio
- e outros metais usados na indústria eletrônica.
Esse material costuma ser levado para desmanches clandestinos, que alimentam o mercado ilegal de sucata e metais.
Quem sente primeiro o impacto quando um radar é vandalizado?
O prejuízo não atinge apenas o poder público. Quando um radar é furtado ou danificado:
- a fiscalização naquele trecho fica comprometida;
- motoristas passam a circular com menor controle de velocidade;
- pontos conhecidos por acidentes ficam temporariamente sem monitoramento.
Na rotina da cidade, isso representa mais risco para quem atravessa ruas movimentadas, utiliza bicicleta ou depende do transporte coletivo.
Como as prefeituras tentam reduzir o interesse dos criminosos?
Para diminuir os furtos, algumas administrações municipais começaram a substituir fios de cobre por cabos de alumínio.
O alumínio é mais barato e menos atrativo para revenda ilegal, embora seja tecnicamente menos eficiente em algumas aplicações.
Em São Paulo, a Companhia de Engenharia de Tráfego instalou estruturas metálicas de proteção nos postes dos radares, conhecidas como “chapéu chinês”.
As tiras metálicas voltadas para baixo dificultam a escalada e o acesso direto aos equipamentos.
A instalação começou em locais com maior histórico de furtos e vandalismo, com previsão de ampliação para outras áreas.
O problema que continua mesmo com proteção
Mesmo com as barreiras físicas, um tipo de ataque ainda ocorre com frequência: a pichação e a obstrução das lentes.
Esse tipo de vandalismo não destrói o equipamento, porém prejudica a captação das imagens das infrações.
As empresas responsáveis pela manutenção fazem a limpeza e os reparos, mas o radar fica temporariamente inoperante.

Um erro comum dos motoristas diante desse cenário
Um dos comportamentos mais comuns é acreditar que, ao perceber um radar danificado, a fiscalização deixou de existir naquele trecho.
Na prática, essa interpretação leva muitos condutores a reduzirem a atenção e a respeitar menos os limites de velocidade.
Mas são justamente áreas que seguem sendo monitoradas por outros meios ou que podem ter o equipamento restabelecido rapidamente. Logo, esse hábito acaba ampliando o risco de acidentes.
Por que o vandalismo vai além do prejuízo financeiro?
Embora o custo para repor equipamentos seja alto, o principal impacto é na segurança viária.
Afinal, a destruição de radares compromete políticas públicas de prevenção de acidentes. Ao mesmo tempo, enfraquece a capacidade de controle em locais considerados sensíveis.
Para as autoridades, o avanço desse tipo de crime reforça a necessidade de estratégias mais robustas de proteção e monitoramento da infraestrutura urbana.