O câncer de próstata é o tumor mais comum entre os homens no Brasil (atrás apenas do câncer de pele não melanoma). Diante desse desafio de saúde pública, uma inovação 100% brasileira está mudando o cenário do tratamento no Sistema Único de Saúde (SUS).

(Foto: I.A)
Pesquisadores da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) desenvolveram uma técnica que une alta tecnologia, eficácia oncológica e baixo custo.
O que é a técnica AORP?
A técnica, batizada de AORP (do inglês Open Anterograde Anatomic Radical Prostatectomy), foi desenvolvida pela equipe do Hospital Universitário Pedro Ernesto (HUPE-UERJ).
A grande inovação está em adaptar os princípios de movimentos e visualização da cirurgia robótica para o ambiente da cirurgia aberta tradicional.
Diferente dos métodos convencionais, a AORP utiliza instrumentos simples, mas aplica uma lógica de dissecção anatômica refinada, garantindo resultados que antes só eram possíveis com equipamentos de milhões de dólares.
Tecnologia de ponta com custo 4 vezes menor
Um dos maiores obstáculos do SUS no tratamento do câncer de próstata é o alto custo das plataformas robóticas (como o sistema da Vinci). Embora eficazes, o valor de aquisição, manutenção e insumos torna essa tecnologia inacessível para a maioria dos hospitais públicos.
A inovação da UERJ resolve esse problema:
- Acessibilidade: Utiliza instrumentos cirúrgicos convencionais já disponíveis no SUS.
- Economia: O procedimento chega a ser quase quatro vezes mais barato que a cirurgia robótica.
- Eficiência: Oferece tempos de internação e recuperação funcional equivalentes aos dos robôs.
Benefícios reais para o paciente do SUS
Os estudos realizados entre 2016 e 2019 com 240 pacientes demonstraram vantagens claras da técnica AORP em comparação à cirurgia aberta tradicional:
- Recuperação mais rápida da continência: Em 30 dias, 60,9% dos pacientes operados com a nova técnica já estavam continentes, contra 42% no método antigo.
- Menos complicações: Redução significativa na perda de sangue e no tempo de uso da sonda urinária.
- Preservação da função sexual: A precisão na dissecção permite uma melhor preservação dos feixes nervosos responsáveis pela ereção.
- Segurança Oncológica: O controle do câncer é idêntico ao das técnicas mais caras, garantindo a cura com qualidade de vida.
Por que essa inovação é um marco para a saúde brasileira?
A AORP não é apenas uma nova forma de operar; é uma estratégia de democratização da saúde. Ao eliminar a necessidade de máquinas caríssimas, a técnica permite que hospitais públicos de qualquer região do Brasil ofereçam um padrão ouro de tratamento.
Além disso, a técnica serve como uma “ponte pedagógica” para cirurgiões, facilitando o aprendizado de conceitos avançados que podem ser aplicados tanto na cirurgia aberta quanto na futura transição para a robótica.