Qual o valor do total das obras destruídas em Brasília?

Os atos golpistas que aconteceram no último domingo, 8, em Brasília, não pouparam as obras de arte e as peças históricas de valor inestimável. Somente no terceiro andar do Palácio do Planalto, foram destruídas uma tela de  Di Cavalcanti (“As Mulatas”, de 1962) que tem um valor estimado de até R$ 20 milhões, uma escultura de bronze de Bruno Giorgi (“O Flautista”, da década de 1950), que vale R$ 250 mil) e uma escultura de parede de Frans Krajcberg.

Através de um comunicado divulgado nesta segunda, 9, pela Secretaria de Comunicação do Palácio do Planalto , foram dados mais detalhes sobre as depredações.

No térreo do prédio, a pintura “Bandeira do Brasil” (1995), de Jorge Eduardo, que reproduz a bandeira nacional, foi encontrada “boiando sobre a água que inundou todo o pavimento, após vândalos abrirem os hidrantes ali instalados”. A Galeria dos Ex-Presidentes foi depredada totalmente, “com todas as fotografias retiradas da parede, jogadas ao chão e quebradas”.

No segundo piso, foram encontrados diversos quadros quebrados e rasurados, especialmente fotografias. Segundo a Secom, “o estado de diversas obras não pôde ainda ser avaliado, pois é necessário aguardar a perícia e a limpeza dos espaços para só daí ter acesso às obras”.

Foi marcada uma reunião à pedido do presidente Lula para tarde de ontem pelo Ministério da Cultura e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), para fazer uma “avaliação e informação da destruição cometida nos prédios do Palácio do Planalto, Congresso Nacional, Supremo Tribunal Federal e demais espaços tombados”.

No terceiro andar, o quadro  “As Mulatas”, tido como a principal peça do Salão Nobre do Palácio do Planalto, “foi encontrada com sete rasgos, de diferentes tamanhos”. De acordo com o marchand Luiz Danieliano, “atualmente uma obra desse porte poderia ser vendida por valores entre R$15 milhões a R$20 milhões. 

A obra de Giorgi, que está avaliada em R$250 mil “foi encontrada completamente destruída, com pedaços espalhados pelo salão”, disse a Secom. Octávio Guastini, gerente de vendas da Galeria André, que representa Giorgi desde sua criação, acredita que a obra tenha sido especialmente comissionada para o Planalto e se mostrou “impressionado com a força utilizada” para quebrar totalmente a peça, feita de bronze.

Paulo Amorim
Paulo Henrique Oliveira é formado em Jornalismo pela Universidade Mogi das Cruzes e em Rádio e TV pela Universidade Bandeirante de São Paulo. Atua como redator do portal FDR, onde já cumula vasta experiência e pesquisas, produzindo matérias sobre economia, finanças e investimentos.