População da periferia de SP está cada vez mais adotando os bancos digitais; descubra o motivo

Entre as novidades no sistema financeiro que caíram nas graças dos brasileiros estão os bancos digitais. Unindo inovação, praticidade e taxas pequenas ou mesmo inexistentes, esses negócios avançam sobre o domínio de mercado dos bancos tradicionais e beneficiam os consumidores com mais alternativas.

Mas uma pesquisa das startups Cinnecta, de inteligência de dados, e Zanzar, de tecnologia para carros compartilhados, revela a dificuldade que os bancos digitais têm de conquistar clientes de maior renda. Realizado em diversos bairros de São Paulo e Belo Horizonte, o levantamento aponta um interesse por bancos digitais superior a 54% nos bairros periféricos e inferior a 40% nos bairros nobres.

Em São Paulo, os bairros em que o interesse pelos serviços de bancos digitais é maior são Guaianases (55,2%), Capão Redondo (54,6%) e Brás (54,1%). Na outra ponta, Saúde (39,2%), Alto dos Pinheiros (39,7%) e Vila Mariana (40,9%) apresentam os menores índice de interesse. Nesses últimos, há maior concentração de famílias com renda alta (acima de R$ 8 mil per capita por mês, segundo o Mapa da Desigualdade 2020).

Em Belo Horizonte, os resultados são semelhantes. O interesse por bancos digitais é maior nas regiões do Barreiro e Venda Nova (57%) e menor no Centro-Sul e na Pampulha (47%).

A Cinnecta e a Zanzar apontam que a maior aceitação dos bancos digitais entre os mais pobres se deve à quantidade e valor das taxas cobradas. Em geral, essas instituições cobram pequenas taxas ou, em alguns casos, não cobram qualquer taxa dos seus clientes.

Isso é possível justamente devido ao seu caráter digital. Como elas operam apenas online, sem agências físicas, o seu custo de operação costuma ser bem menor que o dos bancos tradicionais, o que as permite eliminar alguns encargos para o consumidor.

Além das taxas menores, os bancos digitais também se beneficiaram da ampliação do uso de smartphones entre os mais pobres, ocorrida nos últimos anos, e de uma entrada massiva de consumidores de baixa renda no sistema financeiro tradicional após o início da pandemia.

Para ter acesso ao auxílio emergencial, muitos brasileiros tiveram que abrir uma conta em um banco pela primeira vez na vida, e, em muitos casos, eles optaram por bancos digitais.

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Amaury Nogueira
Amaury da Silva Nogueira é bacharelando em Letras/Edição pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Apaixonado pelo universo da escrita, atua há dois anos como redator e realiza pesquisas sobre história da edição no Brasil. Além disso, atualmente pesquisa também sobre direitos e benefícios sociais para agregar conhecimento na redação do portal de notícias FDR.