Startups fazem demissão em massa por meio de vídeo

O cenário econômico é delicado em todo o mundo, mas afeta especialmente as startups, empresas inovadoras que crescem rapidamente. As demissões em massa realizadas por elas ultimamente, no entanto, também demonstram como elas podem “se livrar” dos seus funcionários com rapidez e até com assédio moral.

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Funcionários de startups famosas relatam demissões de dezenas e até centenas de pessoas por videoconferência, sem aviso prévio e sem oportunidade de elas serem ouvidas.

“Marcaram de última hora uma reunião por vídeo com 36 funcionários. Foi onde eles comunicaram a demissão em massa de todo mundo”, relatou à BBC News uma ex-funcionária de uma startup de serviços residenciais.

“É inevitável que você se sinta injustiçada, diminuída, por conta da situação. Ninguém pôde falar nada, porque os microfones foram bloqueados. Então a gente só pôde ouvir e aceitar tudo que estava acontecendo. Faltou transparência e empatia”, complementa.

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A situação vivida por ela se repetiu com milhares de outros funcionários de startups brasileiras nos últimos meses. Empresas como Empiricus, Grupo Rico, Facily, Kavak, Vtex, Favo, QuintoAndar, Loft, Olist, Mercado Bitcoin, Zak, Bitso, TGroup, Sami e Sanar realizaram demissões coletivas em 2022, na maioria das vezes sem avisar previamente aos funcionários.

“Tinha gente que começou na segunda-feira e foi demitida na sexta. E eles estavam fazendo recrutamento ativo, trazendo pessoas de outras empresas. Eu mesma estava em uma empresa há mais de um ano e fui abordada por um recrutador da Zak. Fiquei pouco mais de 30 dias e aconteceu essa demissão em massa”, conta uma ex-funcionária dispensada da Zak, startup de gestão de restaurantes.

A situação vivida pelo carioca Vinicius Mota, de 28 anos, foi ainda pior. Depois de cinco meses na Kavak, startup que revende carros usados, ele e cerca de 50 colegas tiveram que aguardar por quase uma hora nos fundos de uma das lojas da empresa, enquanto eram vigiados por seguranças e impedidos de sair.

Depois dessa longa espera, eles foram chamados em grupos de 12 a 15 pessoas para ouvir de um gestor, que não era o seu superior direto, que estavam sendo demitidos.

O que diz a lei sobre demissões em massa?

Até a reforma trabalhista de 2017, demissões em massa precisavam ser autorizadas por sindicatos. Essa autorização não é mais necessária, mas, de acordo com uma decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) do último dia 8 de junho, as empresas precisam, pelo menos, comunicar os sindicatos sobre a decisão.

No caso das startups, a maioria dos funcionários não é sindicalizada, o que torna a demissão coletiva ainda mais recorrente.

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O trabalhador demitido coletivamente, no entanto, tem direito a receber os mesmos valores envolvidos em demissões convencionais. Isso inclui aviso prévio de 30 dias indenizado, multa de 40% do FGTS, 13º salário, férias remuneradas, entre outros.

Além disso, caso o trabalhador considere que a demissão foi conduzida de forma desrespeitosa pela empresa, ele pode entrar com um processo na Justiça por dano moral.

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Especialistas em Recursos Humanos, inclusive, apontam excessos por parte das startups que fizeram demissões coletivas. Eles explicam que o ideal é comunicar cada trabalhador individualmente, dando a ele a chance de ouvir e ser ouvido. Essa demissão humanizada é, inclusive, positiva para a imagem da empresa.

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Amaury Nogueira
Amaury da Silva Nogueira é bacharelando em Letras/Edição pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Apaixonado pelo universo da escrita, atua há dois anos como redator e realiza pesquisas sobre história da edição no Brasil. Além disso, atualmente pesquisa também sobre direitos e benefícios sociais para agregar conhecimento na redação do portal de notícias FDR.