Para caminhoneiros, este é o grande culpado pelo caos nos preços do diesel

Os caminhoneiros já estavam insatisfeitos com o preço do diesel, e ficaram ainda mais após o anúncio de um novo reajuste, de 14,2%, no preço do combustível vendido às distribuidoras pela Petrobras. A Abrava (Associação Brasileira de Condutores de Veículos Automotores) se pronunciou nesta semana tecendo duras críticas ao governo e, em especial, ao ministro da Economia, Paulo Guedes.

“O governo se acomodou e, por ironia do destino, o ministro apelidado de ‘Posto Ipiranga’, que deveria resolver esse problema, é o grande culpado deste caos, e hoje chegamos neste ponto crítico, sendo que ainda temos sérios riscos de falta de combustível”, afirma a Abrava. “Muitos especialistas afirmam que esse problema tem soluções viáveis, mas está claro que essa não é a prioridade, o que vemos é um governo desesperado.”

Os caminhoneiros acreditam que as medidas anunciadas pelo governo para tentar reduzir o custo dos combustíveis não surtirão efeito. Em especial, a limitação da alíquota de ICMS a 17% e a retirada de tributos federais, que tramitam através de projeto de lei no Congresso, terão pouco ou nenhum efeito sobre o preço do diesel, na visão da categoria.

“O que se tem é uma diminuição temporária que, talvez, seja suficiente para reduzir o valor por dois ou três meses, no máximo, sendo que isso ainda dependerá da frequência de aumentos promovidos pela Petrobras, que estão atrelados ao mercado internacional. Pesa ainda o fato de que não se pode precisar se, na ponta da cadeia, ou seja, nos postos de combustíveis, essa redução será realizada na sua plenitude”, diz a Abrava.

A associação também afirma que a situação é pior para o caminhoneiro autônomo, que não tem “a chance de participar das negociações dos fretes entre empresas de transporte e embarcadores”, e, por isso, precisa se equilibrar entre o aumento de custos para rodar e o valor pago pelos intermediários.

Caminhoneiros vão entrar em greve?

A Abrava voltou a criticar a política de preços da Petrobras, que considera “cruel”, e afirmou que a chance de uma nova greve dos caminhoneiros é muito grande.

“De uma forma ou de outra, mantendo-se essa política cruel de preços da Petrobras, sem a garantia que o caminhoneiro autônomo tenha suas despesas de viagem integralmente ressarcidas, a categoria vai parar. Se não for por greve, será pelo fato de se pagar para trabalhar. A greve é o mais provável e não demora muito”, declarou.

Antes do novo reajuste do diesel, que passa a valer a partir de sábado (18), o combustível já havia ficado 52,27% mais caro para os consumidores em 2022, de acordo com o IBGE. O Brasil importa entre 20% e 30% do diesel que consome, e a mercadoria está escasseando no mercado internacional, o que pode levar a um desabastecimento nos postos nos próximos meses.

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Amaury Nogueira
Amaury da Silva Nogueira é bacharelando em Letras/Edição pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Apaixonado pelo universo da escrita, atua há dois anos como redator e realiza pesquisas sobre história da edição no Brasil. Além disso, atualmente pesquisa também sobre direitos e benefícios sociais para agregar conhecimento na redação do portal de notícias FDR.