Pessoas estão investindo menos em criptomoedas; saiba o motivo

Nos últimos seis meses até abril, houve uma queda no número de pessoas físicas que negociaram criptomoedas. Esse dado se refere à compra e venda de moedas digitais, e não à posse.

Pessoas estão investindo menos em criptomoedas
Pessoas estão investindo menos em criptomoedas (Imagem: Montagem/FDR)

Entre outubro de 2021 e abril de 2022, o número de pessoas que negociaram moedas digitais diminuiu quase pela metade. O total caiu de 531,6 mil para 297,5 mil, segundo informações declaradas pelas empresas de negociação de criptomoedas à Receita Federal. Os números foram apurados pelo Valor.

Redução no total de investidores segue desvalorização das criptomoedas

A diminuição no total de investidores que negociam criptomoedas acompanha a desvalorização desses ativos.

O bitcoin, principal moeda digital do mercado, vem apresentando forte desvalorização. Desde a máxima histórica, registrada em novembro, a cripto já se desvalorizou mais da metade. Atualmente, essa moeda digital está sendo cotada abaixo de US$ 30 mil.

Em meio ao cenário atual de aumento dos juros, os investidores têm evitando os ativos de risco em geral. Diante disso, as criptomoedas vêm sendo penalizadas.

Ao Valor, o diretor da Associação Brasileira de Criptoeconomia (ABCripto), Bernardo Srur, explica que, em situações de desvalorização como essa, os cidadãos com criptomoedas seguem com elas em carteira — e esperam por melhores momentos para comprar ou vender.

Este cenário ajuda a explicar a redução nas negociações declaradas à Receita Federal.

Maior correlação entre moedas digitais e ações

As criptomoedas já foram consideradas como porto seguros do mercado para diversificação de risco. Contudo, cada vez mais, a performance das moedas digitais vem correlacionando com o do mercado de ações, segundo nota do Fundo Monetário Internacional (FMI).

A entidade alega que, antes da pandemia de coronavírus, ativos como bitcoin e ether tinham pouca correlação com os principais índices de ações. “Mas isso mudou após as extraordinárias respostas à crise do banco central no início de 2020”, declara o FMI.

Entre 2017 e 2019, o coeficiente de correlação do bitcoin com o índice S&P 500, principal benchmark de ações dos Estados Unidos, era de 0,01. Contudo, entre 2020 e 2021, a medida aumentou para 0,36.

Isso indica que a principal moeda digital do mercado já tem se comportado como um ativo de risco mais tradicional — com mais correlação com ações do que ouro, por exemplo.

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Silvio Souza
Silvio Suehiro Souza é formado em Comunicação Social - Jornalismo pela Universidade de Mogi das Cruzes (UMC). Desde 2019 dedica-se à redação do portal FDR, onde tem acumulado experiência e vasto conhecimento na área ligada a economia, finanças e investimentos. Além disso, Silvio produz análises sobre produtos e serviços financeiros, sempre prezando pela imparcialidade e informações confiáveis.