Economias de escala: como ter uma vantagem competitiva na sua empresa

O livro “Competition Demystified” tornou-se um dos mais importantes no mundo dos investimentos desde sua publicação em 2005. Seu autor, Bruce Greenwald, propõe um método simplificado para a análise competitiva de empresas. 

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De acordo com ele, os líderes empresariais deveriam focar seus esforços estratégicos em conter a ameaça da entrada de novas empresas no setor em que atuam. Para isso acontecer, entretanto, é necessário criar barreiras de entrada, um tipo específico de vantagem no mercado competitivo.

Barreiras de entrada são características intrínsecas a uma firma que dificultam a entrada de outras empresas no mercado. Nesse cenário, as firmas que possuem vantagens competitivas atingem retornos superiores ao custo do capital investido, gerando muito valor para seus acionistas.

Para Bruce Greenwald, há apenas três categorias de barreiras de entrada:

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  • Barreiras de entrada de oferta
  • Barreiras de entrada de demanda
  • Barreiras de entrada associadas a economias de escala

O que são economias de escala?

Economias de escala são vantagens de custos que acontecem quando a produção de uma firma é grande o bastante para que seus custos fixos sejam diluídos entre as unidades produzidas. Quando isso ocorre, os “custos médios totais” por unidade produzida diminuem e a empresa pode atingir uma lucratividade mais alta.

Outro ponto relevante é que, com custos menores, ela pode vender seus produtos a preços mais baixos que seus concorrentes, o que pode fazer com que muitos desistam de competir, pois, suas lucratividades não mais justificarão a permanência no setor. Além disso, novas empresas teriam incentivos para não entrar no mercado, pois seria difícil competir com seus preços. 

Vale destacar que o importante para essa vantagem competitiva é a escala relativa e não absoluta. Em outras palavras, o que importa é a participação de mercado da firma em relação às suas concorrentes. Caso ela seja muito maior, conseguirá diluir seus custos de maneira mais eficiente que as demais.

Um exemplo prático de economias de escala

Para consolidar melhor este conceito, vamos realizar um exercício prático.

Imagine uma firma que fabrica balas de caramelo. Essencialmente, seu modelo de negócios é o seguinte:

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  • Primeiro, ela compra o caramelo de seus fornecedores (a quantidade de caramelo por bala custa R$ 0,05);
  • Depois, ela processa o caramelo em suas máquinas e deixa-os em formato cúbico;
  • Finalmente, ela envolve as balas com uma embalagem de plástico (que custa R$ 0,03 por unidade).

Imagine que esta firma possua apenas uma máquina, capaz de produzir 100 mil balas por ano. A despesa anual fixa gasta com a manutenção da máquina (incluindo custos energéticos e salário dos operadores) é de R$ 10 mil.

Tendo essas informações, será possível calcular quanto custa fabricar uma bala?

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A resposta para essa pergunta é: depende! Isso porque, para respondê-la, precisamos saber quantas balas serão fabricadas.

Sabemos que os custos variáveis são de R$ 0,08 para cada bala produzida (cinco centavos de caramelo, mais três centavos de embalagem). 

E os custos fixos?

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  • Se a firma utilizar metade da sua capacidade e fabricar 50 mil balas no ano, o custo fixo por bala será de R$ 0,20 (R$ 10 mil / 50 mil balas).
  • Por outro lado, se ela utilizar toda sua capacidade, fabricando 100 mil balas no ano, o custo fixo por bala será de apenas R$ 0,10 (R$ 10 mil / 100 mil balas).

Perceba que no primeiro caso o custo médio total por bala fabricada seria de R$ 0,28 (oito centavos de custo variável, mais vinte centavos de custo fixo). Já no segundo, esse número cairia para R$ 0,18 por bala (oito mais dez).

Em outras palavras, utilizar toda a capacidade produtiva resultaria em uma economia de custos de mais de 30%.

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Este é o poder das economias de escala: a economia só foi possível, pois com um maior nível de produção, os custos fixos ficariam mais diluídos entre número de balas fabricadas. 

 

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Tiago Reis
Formado em administração de empresas pela Fundação Getulio Vargas, Tiago Reis é Fundador e CEO da Suno Research, consultoria de análise financeira voltada para investidores pessoa física. Possui certificação CNPI (Certificação Nacional dos Profissionais de Investimento). Tiago iniciou sua carreira na Set Investimentos e é especialista em assuntos como mercado financeiro, bolsa de valores, investimentos, fraudes corporativas e finanças corporativas.