Intenção de empréstimos nos próximos 3 meses é a maior dos últimos tempos; confira dicas para não se endividar ainda mais

Pontos-chave
  • Brasileiros estão mais propensos a pedir empréstimos
  • Taxas cobradas estão mais altas
  • Desemprego pode prejudicar os empréstimos

O planejamento é uma das principais lições da educação financeira. Quando uma pessoa começa a utilizar ferramentas de finanças, ela pode começar a enxergar a parcela de seus ganhos que são voltados aos gastos necessários e o quanto irá para a reserva de emergência ou investimentos. Porém para algumas pessoas este planejamento é algo complicado de ser feito e ela acaba tendo que recorrer a empréstimos.

Um levantamento revelou que 46% dos entrevistados tem dificuldades de analisar o seu orçamento mensal e se planejar. Ao olhar para o médio prazo, estas pessoas terão que pedir um empréstimo pessoal. 

Este foi o percentual mais alto de pessoas com intenção de contratar um crédito pessoal nos próximos três meses desde junho do ano passado. Segundo a mais recente edição do Índice FinanZero de Empréstimo (IFE), que contatou 500 pessoas, a maior razão para 34,5% dos entrevistados contrair um empréstimo são dívidas.

A inflação em alta acaba impulsionando a necessidade dos brasileiros de solicitar um empréstimo. Somente com este dinheiro a mais eles conseguem suprir as necessidades básicas.

“Com o aumento nos preços de itens básicos e outros, como o combustível e endividamento, muitas pessoas fazem empréstimos pessoais para cobrir esses gastos e quitar outros que foram se acumulando durante os dois últimos anos de pandemia”, ecpliou ao Valor Investe, Cadu Guidi, sócio-diretor de marketing da FinanZero, fintech que trabalha como correspondente bancário online e que também foi a responsável pela pesquisa.

Quando fazemos a comparação apenas com o mês de abril, a intenção da população em pedir um empréstimo também aumentou, atingindo 47%. Aqueles que precisam de crédito em um momento de aperto estão encontrando taxas cada vez mais elevadas.

Os empréstimos, nas mais importantes instituições financeiras, está sendo liberado com encargos de 6,77% ao mês em abril, um aumento de de 0,07 ponto percentual em comparação com a taxa média registrada no mês de março de 2022. 

Já em outro monitoramento, realizado pela Associação Nacional de Executivos de Finanças (Anefac), a taxa média de juros cresceu para 114,59% ao ano em março de este ano. Em janeiro do ano passado, essa mesma taxa estava em 92,59%.

Desemprego pode prejudicar os empréstimos

Segundo a Pnad Continua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua) realizada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o Brasil possui atualmente cerca de 12 milhões de brasileiros que estão sem trabalho e renda formal. O Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) subiu a expectativa para a inflação neste ano: 6,5%, percentual bem superior ao teto da meta. Como ficam os empréstimos em meio a isso?

Esta pergunta aparece pois em meio a uma inflação que tende a permanecer, com juros altos, desemprego e baixa expectativa de crescimento na economia, a projeção é que o mercado de trabalho siga desestruturado, na visão do diretor técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Fausto Augusto Júnior

De acordo com a Pnad, o rendimento real habitual do trabalhador encolheu 8,8% no trimestre encerrado em fevereiro deste ano, ante o mesmo período do ano passado. Com isso, de acordo com o levantamento, a renda média foi reduzida para R$ 2.511, contra  R$ 2.752, registrado em fevereiro do ano passado.

“Uma pessoa ou família que comprometa quase metade do rendimento mensal com empréstimo terá condições de honrar a dívida e ainda sobreviver neste contexto econômico? O que se dizer, então, sobre quem está negativado e, possivelmente, desempregado?”, perguntou o presidente da Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa (Fenae), Sergio Takemoto em revista ao portal Monitor Mercantil.

De acordo com uma pesquisa feita pelo Dieese a pedido da Fenae foi revelado que os aumentos reais do salário mínimo, descontados a inflação, acompanhada pelo INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor), estão cada vez mais baixos ou até mesmo zerados, como aconteceu nos últimos três anos, inclusive em 2022.

No governo atual, somente em 2019 aconteceu um reajuste real do salário, no percentual de 1,14%.

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Paulo Amorim
Paulo Henrique Oliveira é formado em Jornalismo pela Universidade Mogi das Cruzes e em Rádio e TV pela Universidade Bandeirante de São Paulo. Atua como redator do portal FDR, onde já cumula vasta experiência e pesquisas, produzindo matérias sobre economia, finanças e investimentos.