Brasil está com nota Ba2 e Argentina CCC; entenda como funcionam as classificações de risco

Pontos-chave
  • Brasil possui classificação de risco melhor do que a Argentina;
  • A avaliação se baseia na capacidade do emissor honrar uma dívida;
  • Cada agência de rating apresenta avaliações distintas.

Nesta terça-feira (12), diferentes agências de classificações de risco informaram o rating do Brasil e Argentina. Para o Brasil, a Moody’s manteve rating em “Ba2”. Já para a Argentina, a Fitch reafirmou rating em “CCC”.

Brasil está com nota Ba2 e Argentina CCC; entenda como funcionam as classificações de risco
Brasil está com nota Ba2 e Argentina CCC; entenda como funcionam as classificações de risco (Imagem: Montagem/FDR)

O rating é uma nota dada pelas agências de classificação de risco a um emissor. A avaliação tem como base a capacidade de honrar uma dívida. Desse modo, os investidores podem saber o patamar de risco dos títulos de dívida que estão comprando.

Classificação de risco para o Brasil

A Moody’s manteve em Ba2 os ratings de emissor de longo prazo e os ratings seniores sem garantia de longo prazo dos títulos de dívida do governo do Brasil e os ratings sem garantia em (P)Ba2. A projeção para as classificações continua estável.

Três grandes fatores explicam a manutenção do rating do Brasil, segundo a agência de classificação de risco:

  • Mudanças estruturais nas políticas fiscal e monetária adotadas nos últimos anos;
  • Melhora do desempenho fiscal, deve mitigar o impacto da alta da taxa de juros na dívida do país; e
  • Forte posição externa do país, com reservas em moeda estrangeira.

A Moody’s informa que a estimativa estável reflete as previsões da agência de que as reformas fiscais e de política monetária — feitas recentemente — são, por natureza, estruturais; e serão preservadas em grande parte.

A agência informa que, em grande medida, o governo cumpriu, no ano passado, o teto de gastos. Isso ocasionou uma rápida diminuição das despesas em comparação aos patamares consideravelmente altos de 2020.

A Moody’s estima uma melhora no ambiente de negócios com a aprovação da independência do Banco Central, o desinvestimento de ativos por parte do governo federal, e o aumento da participação do setor privado no investimento em infraestrutura.

Apesar disso, mesmo diante de uma retomada da pandemia de coronavírus, agência projeta que o crescimento sofrerá uma considerável desaceleração neste ano. Isso por conta do aperto das condições financeiras e desaceleração do consumo.

A Moody’s ainda considera que as decisões de investimento de curto prazo são impactadas pela relativamente contida confiança do consumidor antes das eleições presidenciais.

Contudo, a agência informa que existe um potencial de aumento para o desempenho do crescimento no médio prazo. O motivo é a forte retomada do investimento privado neste ano. Outra razão são os novos compromissos em projetos de infraestrutura nos próximos anos.

Agência de classificações de risco entende que eleições presidenciais impactam cenário brasileiro
Agência de classificações de risco entende que eleições presidenciais impactam cenário brasileiro (Imagem: Montagem/FDR)

Classificação de risco para a Argentina

Já a Fitch reafirmou o rating da Argentina em CCC. A agência alega que o rating reflete a “liquidez externa fraca”, e “desiquilíbrios macroeconômicos pronunciados” do país — que prejudicam a capacidade de pagamento das dívidas.

Para a classificação, a agência também considera, no âmbito de um novo acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), a incerteza sobre quanto progresso pode existir nesses temas.

Entre os soberanos com avaliação de rating, a Fitch declara que o histórico de pagamento de dívida da Argentina é um dos mais fracos. A instituição observa o panorama político local como “complexo”.

A agência declara que o acordo com o FMI possui exigências políticas consideravelmente não ambiciosas em comparação a anteriores do Fundo. A Fitch ainda diz que a iniciativa pode ser ameaçada por profundos desequilíbrios econômicos. Os reflexos da guerra na Ucrânia também preocupam.

Como funcionam as classificações de risco

Para efetuar a classificação de risco, as agências de rating usam tanto técnicas quantitativas quanto análises de elementos qualitativos.

Estas agências classificam os investimentos em dois principais grupos: os com grau especulativo e os com grau de investimento.

Na agência Moody’s, os grupos são divididos dessa forma:

  • Grau especulativo: a menor nota é a C, seguida de Ca, Caa3, Caa2, Caa1. Logo após, em ordem crescente, segue o grau de especulação, B3, B2, B1, Ba3, Ba2, Ba1.
  • Grau de investimento: segue, em ordem crescente, Baa3, Baa2, Baa1, A3, A2, A1, Aa3, Aa2, Aa1, Aaa. As primeiras três notas do grupo de investimento são compreendidas como categorias medianas de investimentos.

Já na agência Fitch:

  • Grau especulativo: a menor nota é a D. Na categoria de especulação, ainda são atribuídas as notas C, CC, CCC; e B-, B, B+, BB-, BB e BB+.
  • Grau de investimento: a menor nota do grupo de investimento é a BBB-, BBB, BBB+ (qualidade média de investimento). Em ordem crescente, seguem as notas de maior grau de investimento A-, A, A+, AA-, AA, AA+ e AAA.

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Silvio Souza
Silvio Suehiro Souza é formado em Comunicação Social - Jornalismo pela Universidade de Mogi das Cruzes (UMC). Desde 2019 dedica-se à redação do portal FDR, onde tem acumulado experiência e vasto conhecimento na área ligada a economia, finanças e investimentos. Além disso, Silvio produz análises sobre produtos e serviços financeiros, sempre prezando pela imparcialidade e informações confiáveis.