Guerra faz empresas de defesa terem crescimento de até 71%

A guerra entre Rússia e Ucrânia traz consequências para todo o mundo, nas mais diversas esferas. Uma das mais preocupantes é o estímulo à indústria bélica, que pode passar por uma expansão duradoura devido ao conflito.

Conforme as tensões no leste europeu aumentaram e após a invasão russa em 24 de fevereiro, o valor de mercado das principais empresas do setor de defesa sofreu forte apreciação. As ações das gigantes americanas Raytheon, General Dynamics and Northrop Grumman se valorizaram em pelo menos 12% desde o início da guerra, enquanto a Lockheed Martin, também sediada nos Estados Unidos, viu suas ações se valorizarem em 25% até meados de março.

Empresas menores também estão se beneficiando do aquecimento do setor. É o caso da AeroVironment, desenvolvedora de drones sediada no estado americano da Virgínia que teve valorização de 71% desde o início do conflito até a semana passada. Fora dos Estados Unidos, o cenário é semelhante. A israelense Elbit Systems, por exemplo, apresentou valorização de 37%.

O valor de mercado das empresas de defesa cresce porque os investidores vislumbram crescimento nos lucros de curto, médio e longo prazo, provocado pelo crescimento dos orçamentos militares de diversas nações.

Após a invasão da Ucrânia, os congressistas americanos aprovaram um orçamento militar de 782 bilhões de dólares para o corrente ano, o maior da história do país. A expectativa para 2023 é que o orçamento para defesa seja tão grande quanto, alcançando aproximadamente 773 bilhões de dólares.

Isso reforça a posição americana como a nação com os maiores gastos militares do planeta. A maior parte desse dinheiro vai para as empresas que fornecem equipamento bélico para o exército americano (todas privadas, à diferença do que ocorre nos seus principais competidores, Rússia e China).

Outras nações também já decidiram expandir os seus gastos em defesa ou demonstraram que pretendem fazê-lo num futuro próximo. É o caso da Alemanha, que anunciou a criação de um fundo de 111 bilhões de dólares para expansão das suas capacidades militares. Os alemães também anunciaram recentemente que pretendem adquirir 35 caças F-35, produzidos pela americana Lockheed Martin. Esses movimentos indicam uma significativa mudança de postura do país, que após a Segunda Guerra Mundial procurou reduzir o seu papel militar.

A crescente militarização do mundo já vem sendo observada há algum tempo e é exacerbada pela atual guerra. O orçamento militar global dobrou nas últimas duas décadas, de acordo com o Stockholm International Peace Research Institute, e uma expansão semelhante ou maior nos próximos anos parece inevitável.

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Amaury Nogueira
Amaury da Silva Nogueira é bacharelando em Letras/Edição pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Apaixonado pelo universo da escrita, atua há dois anos como redator e realiza pesquisas sobre história da edição no Brasil. Além disso, atualmente pesquisa também sobre direitos e benefícios sociais para agregar conhecimento na redação do portal de notícias FDR.