Ações da Oi (OIBR3) podem sofrer grupamento caso valor fiquem abaixo de R$ 1; entenda prática

Pontos-chave
  • A Oi busca alternativas para evitar a grupamento de suas ações;
  • A empresa precisa manter os papéis na casa dos R$ 1 ou acima disso;
  • O grupamento se refere à conversão de duas ações em apenas um papel.

Em resposta a ofício da B3, a Oi informou que estuda um grupamento de ações. O objetivo é evitar que as ações da Oi fiquem abaixo de R$ 1. A demanda pelo grupamento acontece após os papéis da empresa ficarem mais de dois meses sendo cotados na casa dos centavos.

Segundo a legislação, uma ação não pode ser negociada na bolsa de valores por um preço unitário abaixo de R$ 1 por mais de três meses. De 10 de novembro a 26 de janeiro, os papéis da Oi fecharam abaixo de R$ 1. Diante disso, para resolver a situação, a B3 solicitou que a empresa tomasse providências.

A bolsa pediu a divulgação de medidas e cronograma que sejam implantados — para que os papéis da Oi cheguem à casa de R$ 1 — até 19 de julho de 2022 ou até o dia da primeira assembleia geral, a ser convocada depois do recebimento da notificação, o que acontecer primeiro.

O Oi afirma estar na fase final de implementação de algumas etapas fundamentais do seu plano estratégico de transformação.

Além disso, a empresa ressaltou que, se a cotação das ações não se enquadrar, de modo consistente, em um nível acima de R$ 1 — com o desenvolvimento de seu plano estratégico —, ela planeja levar a sugestão de grupamento ao conselho de administração.

Com isso, o item do grupamento de ações poderia ser inserido na pauta da Assembleia Geral Ordinária. O evento acontecerá em abril deste ano. Com o grupamento, haveria a conversão de duas — ou mais ações — em apenas um papel.

Cotação recente das ações da Oi

Na última sexta-feira (4), as ações ordinárias da Oi (OIBR3) não tiveram variação em relação ao dia anterior. No dia, os papéis foram cotados a R$ 1,06. No acumulado anual, a OIBR3 registra valorização de quase 30%.

Já as ações preferencias da Oi (OIBR4), encerraram a sexta com alta de 1,15%, a R$ 1,72. Em 2022, a OIBR4 já apresenta valorização acima de 30%. Sendo assim, caso a empresa mantenha os papéis a níveis similares, ou acima disso, ao longo do tempo, seria possível evitar a necessidade de um grupamento.

Oi planeja vender seus ativos móveis para aliviar dívidas
Oi planeja vender seus ativos móveis para aliviar dívidas (Imagem: Montagem/FDR)

Ações da Oi dispararam recentemente com a aprovação da venda da Oi Móvel

Desde 2016, a Oi está em recuperação judicial. Diante disso, a companhia vem buscando, financeiramente, se restabelecer. Uma das etapas fundamentais para isso é a venda dos ativos da empresa.

Na última segunda-feira (31), a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) aprovou a anuência prévia para venda de ativos móveis da Oi — para os concorrentes Vivo, TIM e Claro. Por conta deste anúncio, as ações tiveram valorização recente.

A autorização da venda de ativos foi aprovada com algumas condicionantes. Como exemplos, estão o plano de ocupação de espectro transferido da Oi e oferta de capacidade para operadoras móveis virtuais (MVNO).

A Anatel precisará acompanhar os usuários da Oi Móvel ao longo da etapa de migração para as operadoras rivais. As concorrentes terão até 90 dias, renováveis por mais 90, para estabelecerem um acordo para a manutenção dos serviços móveis oferecidos pela Oi na Estação Antártica Comandante Ferraz.

Além da Anatel, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) ainda deve realizar análise até 15 de fevereiro.

Em novembro, a Superintendência-Geral do Cade recomendou a aprovação da aquisição. Contudo, houve a condição de assinatura de um acordo que estabelece algumas ações. Entre estas, estão os contratos de roaming, e aluguel de espectro de radiofrequência.

Com a venda dos ativos, a Oi espera diminuir a sua dívida. Também há a expectativa de elevar a otimização dos negócios. Para que a operação da companhia seja sustentável futuramente, é importante a ajustes nas contas da Oi.

Em dezembro de 2020, ocorreu o acerto da venda da Oi Móvel para os rivais. O leilão aconteceu dentro do processo de recuperação judicial da companhia. A operação tem o valor de R$ 16,5 bilhões. O dinheiro será utilizado para diminuir a dívida da tele.

Caso a aquisição aconteça em definitivo, as três compradoras concentrarão, ainda mais, o mercado local de dados móveis e de voz.

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Silvio Souza
Silvio Suehiro Souza é formado em Comunicação Social - Jornalismo pela Universidade de Mogi das Cruzes (UMC). Desde 2019 dedica-se à redação do portal FDR, onde tem acumulado experiência e vasto conhecimento na área ligada a economia, finanças e investimentos. Além disso, Silvio produz análises sobre produtos e serviços financeiros, sempre prezando pela imparcialidade e informações confiáveis.