Com novo aumento da Selic, 3 milhões de famílias perdem acesso ao financiamento imobiliário

A alta histórica na taxa Selic afetou drasticamente o poder de compra de milhares de brasileiros. Mais precisamente, cerca de três milhões de famílias perderam o acesso ao financiamento imobiliário desde janeiro do ano passado.

Com novo aumento da Selic, 3 milhões de famílias perdem acesso ao financiamento imobiliário
Com novo aumento da Selic, 3 milhões de famílias perdem acesso ao financiamento imobiliário. (Imagem: FDR)

Para entender melhor a situação, é preciso saber que em janeiro de 2021 a taxa Selic se encontrava em uma baixa histórica de 2% ao ano. O percentual chamou a atenção dos agentes do mercado financeiro, que aproveitaram o momento para oferecer linhas de empréstimo, financiamento e várias outras propostas que se tornaram bastante atrativas. 

Esta iniciativa viabilizou conquistas de famílias de classe média e baixa, como a compra de veículos e, principalmente, da casa própria. O setor de construção foi um dos que mais alavancaram durante a pandemia da Covid-19, pois diante da necessidade de permanecer em isolamento, as pessoas decidiram investir em melhorias residenciais. 

No entanto, este cenário mudou drasticamente após o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidir elevar a taxa Selic para 10,75% ao ano. Este já é o oitavo aumento seguido do juro básico, embora seja a primeira vez em quatro anos e meio que ultrapassa a margem de 10%. 

De acordo com o coordenador do curso de Desenvolvimento de Negócios Imobiliários da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Alberto Ajzental, a cada variação na média de 2,5% que a taxa Selic sofre, por consequência, um ponto percentual é somado ao Custo Efetivo Total (CET), vinculado ao processo de contratação de financiamentos, neste caso, o imobiliário

Mas não para por aí, tendo em vista que este mesmo ponto percentual extra também resulta na perda do poder de compra de imóveis de um milhão de famílias.

Entretanto, é importante considerar que os dados mencionados a pouco não incluem a inflação e o desemprego, além do mais, geram uma corrosão ainda maior no poder de compra da população, causando um peso negativo na demanda do setor.

“Com os juros em dois dígitos, o mercado ficará menor, terá menos demanda. O imóvel vai se tornar um produto menos acessível, se comparado com o início de 2021”, explicou o professor da FGV.

É importante mencionar que o encarecimento do financiamento sofreu a influência do aumento do Índice Nacional de Custo de Construção (INCC). A taxa teve uma aceleração de 0,64% em janeiro, provocando o aumento do preço da construção de imóveis que, por consequência, prejudicou o setor como um todo.

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Laura Alvarenga
Laura Alvarenga é graduada em Jornalismo pelo Centro Universitário do Triângulo em Uberlândia - MG. Iniciou a carreira na área de assessoria de comunicação, passou alguns anos trabalhando em pequenos jornais impressos locais e agora se empenha na carreira do jornalismo online através do portal FDR, onde pesquisa e produz conteúdo sobre economia, direitos sociais e finanças.