Como fazer uma vaquinha online de sucesso? Estudo responde

Os pesquisadores da Fundação Getúlio Vargas (FGV) analisaram mais de 4 mil campanhas de crowdfunding, chamadas de financiamento coletivo, realizadas no Brasil que são mais conhecidas como vaquinha online.

E pela primeira vez, identificaram os fatores determinantes para que projetos obtenham o aporte desejado dentro do prazo padrão de 60 dias estabelecido pelas plataformas de financiamento coletivo.

Esses resultados indicam que somente as características do projeto importam, mas também as da cidade onde ele será implementado, bem como a diversificação do rol de recompensas oferecidas para os apoiadores.

De acordo com a Agência Fapesp Wesley Mendes-da-Silva , professor da FGV e autor do artigo  publicado  no Journal of Business Research disse que  “Com a análise, pudemos perceber que, além das características do projeto, fatores como grau de desigualdade, escolaridade e faixa etária dos habitantes da cidade-sede [onde a campanha está sendo realizada] podem ser decisivos para o sucesso das campanhas. Foram conclusões curiosas e que depois tentamos explicar por que elas ocorrem”, disse.

O estudo recebeu apoiado pela Fapesp  por meio de uma Bolsa no Exterior. A pesquisa foi realizada na Universidade do Texas, em Austin (Estados Unidos).

Tudo ou nada 

Esse financiamento coletivo está se mostrando uma alternativa para interessados em alavancar um novo projeto. Segundo, Mendes-da-Silva, isso se dá muito mais por as campanhas serem uma possibilidade de conseguir financiamento sem a necessidade de pegar empréstimos bancários do que pela facilidade de obter o dinheiro. 

Isso se estima com pouco menos da metade das campanhas é bem-sucedida.

Assim, as iniciativas que seguem a lógica do “tudo ou nada” tem se tornado cada vez mais comuns no Brasil.

Com isso, por meio de uma plataforma na internet, estipula-se um valor total para o projeto e dependendo das doações os financiadores ganham recompensas na maioria dos casos recebem livros, camisetas, pôsteres ou até cursos e palestras on-line.

Todas as campanhas terão um prazo previamente estipulado para as arrecadações. Se ao final desse período o montante total não for atingido, as doações são devolvidas e o projeto não é iniciado.

O professor explica que o tempo é um fator crucial. “A resposta vem logo no começo. O crescimento de arrecadação se dá em L, ou seja, ocorre uma contribuição muito grande no começo, que vai caindo e se estabiliza com o passar dos dias. Isso para as campanhas bem-sucedidas. As que fracassam já começam com pouca arrecadação”, diz.

Segundo o pesquisador, na na primeira semana a campanha não tem um boom de contribuições, é um sinal muito forte de que ela não vai conseguir atingir seu objetivo financeiro.

Como alavancar o projeto?

O estudo achou que as campanhas que alcançam sucesso mais rapidamente estão localizadas predominantemente em cidades com maior desigualdade de renda. “Isso porque muita gente faz a alocação de recursos para crowdfunding quando se identifica com a situação potencial de colaborar para reduzir desigualdade”, disse o pesquisador.

O estudo identificou que metas de arrecadação muito altas tendem a influenciar negativamente o sucesso da empreitada e, portanto, seria ideal fatiar esse valor em duas ou mais campanhas. 

O número de recompensas para os doadores também pode ser determinante. Quanto maior a variedade de brindes oferecidos como agradecimento aos colaboradores, menor o tempo para se obter o dinheiro. O estimado é que pouco da metade das campanhas é bem-sucedida.

Esse estudo utilizou um modelo de análise chamado de modelo de sobrevivência. “É um método típico da medicina e usado para determinar, por exemplo, o tempo de sobrevivência depois que um paciente tem um infarto. Essa e outras situações podem ser calculadas a partir de variáveis do paciente como idade, peso, altura, fator genético”, explica.

Os resultados do estudo já possuem desdobramentos. Mendes-da-Silva está realizando um outro projeto em parceria com o Departamento de Informática da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) para desenvolver um algoritmo que facilite o desenho das campanhas.

“Estamos desenvolvendo um modelo de previsão de sucesso utilizando metodologia de inteligência artificial. Com isso, esperamos oferecer para os donos de plataformas um algoritmo que possa ajudá-los a, antes mesmo que a campanha possa ser iniciada, ter uma estimativa do quanto ela pode ser exitosa ou não. Isso é positivo para todos: o dono da plataforma, o dono do projeto e os próprios financiadores”, afirmou o pesquisador.

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Jheniffer Freitas
Jheniffer Aparecida Corrêa Freitas é formada em Jornalismo pela Universidade de Mogi das Cruzes. Atuou como assessora de imprensa da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo e da Secretarial Estadual da Saúde de São Paulo. Há dois anos é redatora do portal FDR, onde acumula bastante experiência em produção de notícias sobre economia popular e finanças.